quarta-feira, 27 de agosto de 2008

entre um café e a psicanálise



Estávamos no café. eu estava de preto. ela estava de preto. conversávamos tranqüilamente sobre os problemas familiares. ela preocupada com o filho, porque o garoto estava com uns sintomas esquisitos. E eu, no entanto, estava preocupado com a cor do batom que ela usava. ela tomava café. eu tomava suco de laranja.

perdemos alguns minutos com aquela conversa meio calafrienta. mas, pela primeira vez, ficávamos cara a cara e sem o velho balcão nos atrapalhando.

passamos um bom tempo fingindo que a conversa estava interessante. evitávamos nos olhar. parávamos de vez em quando num silêncio grosseiro. estávamos nos privando do mundo, porque o mundo estava navegando na xícara de café.

...

logo veio o fim do assunto, e eu perdi o fio da conversa. estava com um toque de aflição. veio a despedida. veio o beijo, que, por sinal, tardou acontecer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

saudade?.. nenhuma!

a história da vida se repete. o homem luta com as armas que possui nas mãos. o velho e bom sabor do cigarro alivia as dores de um sub-mundo coberto de estrelas apagadas. as dores do mundo são três: a esperada da mulher amada, a ânsia por um lugar tranqüilo e a insuficiência diante dos insultos mundanos. existem analgésicos? sim!.. música, cerveja (ou vinho) e cigarros (até os naturais). três dores. três soluções. "a vida é doce".

o tempo parece está curto. não há mais tempo pra nada. bom? muito bom! porque o salário é bom. saudades? não tenho saudades de nada. sinto um apenas uma dor: quando lembro que passei sete anos impotente, fraco, deprimido. saudades?.. nenhuma!

eu não faria tudo novamente, porque foi muito ruim. mas, sem dúvida, as noites que passei embriago foram as melhores que tive. aliás, todas as noites de embriaguez são boas.

não tenho mais tempo pro olavo, pois exige sossego intelectual. não tenho mais tempo para os livros, pois ando muito cansado. não há mais tempo pra poesia, porque a minha poesia agora é a vida, é a prática, é a rapidez, que, breve, será substituída por uma vontade de ir embora pra Europa. Saudades?... nenhuma! rsrsrs