segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Em Casa



Não sei ao certo, mas acho que este é um dos sábados que passo plenamente em casa. É esquisito, o sábado em casa tornou-se diferente. Uma garrafa de Sauvignon me faz companhia. Canções de Bob Marley relaxam o meu espírito. Meu vizinho da esquerda está escutando Iron Maider. A minha vizinha da frente saiu com as amigas. Um outro vizinho faz faxina. E eu? Eu esculto Bob Marley tomando vinho.

A solidão é interessante. A solidão é um jogo. A solidão e um jogo que se joga só. E, por ser um jogo que se joga só, não há como perder. A solidão não é a ausência de companhia, mas a ausência de uma boa conversa. É verdade quando dizem que se pode está só em meio à multidão.


Jantei no Dom Kilme, um restaurante de terceira ou quarta categoria que abriga todo tipo gente, de chilenos bebedores de cerveja a prostitutas que comem pizza antes de ir ao, digamos, trabalho. No Dom a relação custo benefício é uma das melhores. Não há como resistir um contra-filé no Dom, é bom e barato.Um contra-filé, uma caneca de vinho tinto e uma garrafa de água saem por menos de nove reais.


Após o jantar, andei pelo bairro. Encontrei um park de diversões. Lembre de minha sobrinha Maria de Fátima. Comprei água. Acessei o orkut, na lan house do supermercado. Andei novamente pelo bairro. Não tive vontade de ir ao dragão. A noite de sábado resumiu-se ao conhecimento, que é a única coisa que não levarão de mim. Talvez eu me acostume a isto. Talvez não seja mesmo bom embriagar-se em público. A embriaguez é perfeita quando se está só, porque não limitamos as nossas ações.


Bob Marley se foi. Gessinger me faz companhia, mais precisamente o álbum simples de coração, que talvez o melhor disco de Gessinger. A madrugada se aproxima. Estou a mais ou menos três horas se dizer uma palavra. Farei voto de silêncio até ao meio-dia de domingo. Não falarei nada. Se o celular tocar, eu não atenderei.


Agora é a gaita de Dylan que invade a fumaça do meu cigarro. É hora de dormir, são cinco e dez da manhã.



Boa noite!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Viva La Vida



Viva la vida”, de Coldplay, foi o álbum mais vendido do ano. Arranjos fantásticos, letras simples, canções fabulosas são alguns dos adjetivos que podemos usar para resumir este disco. Este álbum foi primeiro lugar na França, USA, Tókio, Grã-Bretanha, mas, como era de se esperar, no Brasil, não foi nem segundo lugar.







O Brasil, como diz o filósofo, está condenado ao fracasso.








Num País onde o papel do presidente do Tribunal Superior é receber deputados em seu gabinete, haverá esperança para a música?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

9.11.2008


Tentei afastar de mim o que não me pertencia. Consegui! Afastei todos os pertences indesejáveis, e hoje tenho uma fotografia de Nietzsche na minha janela. Afastei de mim as injustiças. Posso dizer que a felicidade é epicurista. E posso dizer também que, se exagerada, a virtude transforma-se em vício.

Não sei se devo me respeitar, afinal eu não sou a pessoa mais importante deste mundo; todavia não sou a menos importante – quem será?

Sinto o meu espírito num estado de absoluta compreensão e indiferença. É como se eu não estivesse ligando para os acontecimentos. Minha alma está cansada, talvez morta. Pra ser sincero, minh’alma é niilista. E eu também sou. Isso é ruim? Eu não acho. É muito bom não querer ser um vencedor. Quanto à compreensão, as pessoas agora parecem mais compreensíveis. É como se um psicólogo invisível sussurrasse em meu ouvido o diagnóstico de cada problema.

Se eu não precisasse de comida, de roupas e de um teto, eu não trabalharia. Só trabalho por necessidade. Faço as coisas por necessidade. No entanto, eu também necessito de sossego, por isso não tardo em desprezar tudo aquilo que me faz utilizar a força. Do que adianta os debates, se ninguém vai fazer os que eles dizem?

Sem vaidade chega-se a qualquer lugar do mundo. Não é uma questão de valores de escravo, como bem explica Nietzsche, a questão é mais rica, é mais profunda. Qual o sentido de um debate corrompido? Corroper-se com ele?

Eu tenho medo da certeza de que não verei certas coisas. Queria viajar ao futuro, para ver se vou perder muita coisa. Porém, se um dia eu conseguir viajar ao futuro, não deixarei de ver as coisas que criaram depois de minha morte, e isso não tem graça nenhuma. Beethoven morreu sem comemorar um gol do Fluminense (sim! Se ele tivesse nascido na época do futebol, sem dúvida, seria Fluzão) , porque, como bem sabemos, na época dele, ainda não haviam criado o futebol. Oscar Wilde não conheceu o Orkut. E eu? Vou deixa de conhecer o quê? Isso é me pertuba muito.

Domingo. Muito sono. Dois filmes. Nenhuma OSESP. Um contra-filé no dom kilmer, assistindo ao faustão. Muitos malboros. Coca-cola. Sono. Mensagens no celular. Dúvidas. Certeza: a de que eu não verei certas coisas.