domingo, 31 de maio de 2009

Três-Cinco-Dois (todos atacam-todos defendem)

Gotas de água caem no chão das dunas de Flecheiras. Fortaleza tem paquete. Camocim tem canoa. Flecheiras tem canoa e paquete, mas não tem a torre e nem tão pouco revolução industrial.
As traves do campo de futebol são feitas de talo de coqueiro. O meio-campistas só não joga no gol. O vendedor de din-din ganha uns trocados com o seu pequeno negócio. A arquibancada é o mar. O jogo é a vida.
Fortaleza terá uma copa do mundo. E, enquanto a copa não chega, Flecheiras se torna um paraíso de prostitutas. No peito, como não há mais escudo, ficaram as saudades do Fluminense praiano, o tri campeão do campeonato trairiense.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O vendedor de lembranças

Os dois ofereciam ao pote de açúcar tudo o que nunca lhes havia sido oferecido. Sem dúvida, todos percebiam os grandes olhos da grande vizinhança do pequeno café parisiense. Muitos comentários, sobretudo dos ingleses, acerca daquele casal de namorados havia. "Em 1932 não havia muita coisa pra fazer", dizia uma esquisita velhinha. "Foi o auge da minha vida", dizia um velhinho ao seu cigarro. Ao amanhecer, fecharam a porta e os olhos. Voltaram à casa sem saber muito acerca do que havia acontecido. Dormiram por dois dias. Mais tarde, após o almoço do domingo, chá com biscoitos.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

É fechada a porta

Rituais esquisitos. Praça, flores e bancos. Crianças andam tranquilamente por algumas das incontáveis praças do planeta terra, enquanto o aparelho de mp3 toca "Road Trippin", de Red Hot Chili Peppers.
O velho Xamã Beat toma o seu chá de Ayahuasca. A multidão de curiosos parece ainda mais faminta. Logo logo, os pães e os peixes acabarão.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Felicidade variável

Ninguém frequenta os mesmos lugares por acaso. Estamos todos no mesmo barco. Naufrágio? breve!.. precisamos ainda saber onde deixar o nosso coração? o frio oceano é o lugar mais adequado.
Uma ligação não atendida pode ser um sinal de sinceridade, apesar de soar como uma indiferença ou desprezo. É preciso ter paciência. É preciso produzir ciência com as palavras? talvez não. "Prefiro as pernas que me movimentam".
De tudo um pouco. Porém as coisas parecem mais simples. Elegância é um detalhe introspectivo. E agora só nos resta saber quando será o próximo domingo. Uma verdade: O banco da praça é melhor que o banco da universidade.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Outra medida, ou outro modo.


Carros têm motor... e alguns homens têm coração. Tanques vencem guerras sangrentas... e algumas flores conseguem vencer o inverno. Grandes empresas conquistam grandes lucros... e grandes amigos conquistam grandes paisagens e belas aventuras. Multidões formam países... e um homem sozinho cria ensinamentos. O casamento forma famílias... e o amor forma a verdade. Na há estrada que não possa ser vencida pelo poder das pernas.


Vibration

" ...é difícil ficar zangado quando há tanta beleza no mundo, às vezes acho que estou vendo tudo de uma vez só, e é demais, meu coração se enche como um balão preste a estourar. Então eu me lembro de relaxar e de tentar parar de me apegar a isso, e então tudo flui através de mim como uma chuva, e eu não posso sentir nada além de gratidão por cada momento de minha vida idiota. Vocês não têm idéia do que estou falando, tenho certeza, mas não se preocupem, um dia terão".
(Beleza Americana, 1999)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

quando a questão é o anonimato - Parte II (Retrato)


Cine São Luiz. Praça do Ferreira, Fortaleza/CE.

PARA ONDE VAI

Homens de gravata falam e falam.

Meninas e mulheres dançam.

Os pássaros se escondem.

Meninos jogam bola.

Árvores balançam.

Folhas caem.

Ébrios riem.

Há lua

A lua

Dia

Tv

Para onde vai o trem?

sábado, 9 de maio de 2009

Um certo amigo...


Passaram-se mais ou menos dez anos. Velho demais está. Sua cabeça nada sente mais. Nem o coração se enche de alegria. A vida passou muito rápido, e a bota não saiu do pé. Num velho voyagem roubado, numa madrugada chuvosa, cruzou ele a fronteira. Nunca mais o viram. Aurora, cheiro de chuva, estrada...


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Para Dio.

Telefone desligado.
a chuva forte trouxe consigo bons ventos.

pequenos olhares e horas de conversas mantinham.
a sorte, ainda que tarde, aos poucos, foi chegando.

blusão
frio
café
cigarro
folk music

"minha hora chegou?", perguntou ele.
mas ela, ainda contrariada, ficou em silêncio,
e apenas olhou para a Santos Dumont.


JUNTOS PELA VIDA

domingo, 3 de maio de 2009

00:14

doido
domingo

cheio de nada
vazio de vida

nada de bom
é domingo

é o doido
dos doidos e desgostosos domingos

ah!.. doce e doido domingo

sábado, 2 de maio de 2009

Poema para Dal.

Daquela doce primavera
sobraram apenas folhas secas.

Na mesma praça,
Um ano depois,
Chora o tempo que passou.

Virtudes
Exageros
Cóleras
onde ele errou?

Ainda meio atordoado,
Repara na lentidão das nuvens.

Ainda meio esquecido...
conversa com as margaridas,
que, sem dúvida alguma,
eram as únicas testemunhas
daquele carnavalesco amor.

TAREFA COTIDIANA