terça-feira, 31 de março de 2009

Segunda-Feira, às sete da manhã, a alegria vai embora.



daily

Sr Leek
corta-se
lâmina de barbear
todas manhãs

usa gravata
sirônicas & discretas

paletós de
risca de giz

lê jornal
adormece

após
notícias

BBC.



VIRNA TEIXEIRA
(Poeta e tradutora que eu tive o prazer de conhecer por meio de Ruy Vasconcelos)

segunda-feira, 30 de março de 2009

EM RESPOSTA AO CAPELÃO

"Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava"

(Albert Camus. O estrangeiro, p. 30)

domingo, 29 de março de 2009

Domingo e Sábado com Galvão: Bêbado na padaria!

Enquanto o Rubinho chegava em segundo, o Ruy fumava mais um cigarro e a Ingrid tomava cerveja. Daniel, que ainda estava embriagado, olhava para o céu e não via estrelas.

Um sanduíche de peru tirava meu apetite. A costumeira dor de cabeça também estava lá. Cinco da manhã é um bom horário para puxar uma conversa. A chuva, que ficou com gente durante toda a noite, fechou os olhos e dormiu.

Régis e a sua motocicleta dormiram abraçados. Dalviane foi embora de barco.
Que o maranhão lave a louça...

quarta-feira, 25 de março de 2009


(Chris, 1992)

"Passei por muita coisa na vida e agora penso que encontrei o que é necessário para a felicidade. Uma vida tranquila e isolada no campo, com a possibilidade de ser útil gente para quem é fácil fazer o bem e que não o está acostumada que o façam; depois trabalhar em algo que se espera tenha alguma utilidade; depois descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo - essa é a minha idéia de felicidade. E depois, no topo de tudo isso, você como companheira, e filhos talvez - o que mais pode o coraç o de um homem desejar?"

(Leon Toistoi, "Felicidade Familiar")

"Amanhã... todo mundo terá esquecido todo mundo"

"...quando me estendo na cama, vejo o céu, apenas o céu. Os meus dias inteiros, passo-os a olhar na sua face, o declínio das cores que conduz noite. Deitado, ponho as mão o debaixo da cabeça e espero..."

O estrangeiro, Albert Camus.

sábado, 21 de março de 2009

SOBRE A ARTE DE ESCOLHER O QUE SE DESEJA.

















(foto: Daine Arbu)

Numa terra distante, aproximadamente oito mil km além do planeta terra, vive um homem chamado nada. Assim como Deus, o Sol e a Verdade, ele é só. Não sente falta de algum ser que o deixe preenchido ou que o distraia. Sua solidão o o conforta. A solid o é a sua companhia.. Sua montanha é a sua cidade. Lá de cima ele v o mal e bem...

domingo, 8 de março de 2009

ESTAVA ESCRITO

Ontem, ao fechar pela a última vez a porta do “Beth”, a melancolia de um drama europeu bateu de forma brutal. Reparei, após a última volta da fechadura, que eu nunca saio de um lugar sem deixar um rastro de pólvora.

Fortaleza, 12 de janeiro de 2009.

sábado, 7 de março de 2009

ABSURDO LÍRICO

Seis da manhã
Ligo o rádio
E esqueço último beijo que você me deu

Durmo
Desligo o rádio
E penso no último abraço que você me deu

Às seis
Esqueço do beijo
E acordo assustado

Penso
Desligo o abraço
Durmo

Esqueço o horário
Acordo o beijo
Ligo o amanhã

Abraço
Durmo
Desligo-me

Às seis
Ligo o rádio
Beijo o amanhã
E esqueço que o ontem findou em passar

À noite
Num quarto
Penso que durmo
Mas, na verdade, continuo a pensar em ti.

NÃO PROMETO

não prometo nada
calarei vazio
e viverei somente

daquele romance
apenas promessas
nada existiu


e o rosto contente
não mais riu...
chorou sem parar

NOITE NA PRAÇA









domingo, 1 de março de 2009

EVAPORAR

"O ANDARILHO: Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a Terra senão como andarilho — embora não como viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo o que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade. Sem dúvida sobrevêm a um tal homem noites más, em que ele está cansado e encontra fechada a porta da cidade que deveria oferecer-lhe pousada; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais de presa uivem ora mais longe ora mais perto, um vento mais forte se levante, ladrões lhe levem embora seus animais de tiro. E então que cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração se cansa da andança. Se então surge para ele o sol da manhã, incandescente como uma divindade da ira, se a cidade se abre, ele vê nos rostos dos quais aqui moram, talvez ainda mais deserto, sujeira, engano, insegurança, do que fora das portas — e o dia é quase pior que a noite. Bem pode ser que isso aconteça às vezes ao andarilho; mas então vêm, como recompensa, as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz ele vê, na névoa da montanha, os enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, quando ele, tranqüilo, no equilíbrio da alma de antes do meio-dia, passeia entre árvores, lhe são atiradas de suas frondes e dos recessos da folhagem somente coisas boas e claras, os presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, floresta e solidão estão em casa e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia, entre a décima e a décima segunda badalada, ter um rosto tão puro, translúcido, transfiguradamente sereno: — buscam a filosofia de antes do meio-dia."

(F. Nietzsche. Humano, Demasiado Humano, Cap. VIII, § 638)