sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ANÁLISE ANALÍTICA

ENCONTROS DESCARTÁVEIS - “CONTO CURTO”

Conheceram-se pelos olhares. Marcaram de se encontrar no sábado. Ânsia. Medo. Tensão. Tudo se perdeu... Não era o que eles esperavam.

CARNAVAL

Depois de algum tempo, mais ou menos cinco anos, fui novamente ao carnaval. O destino, como não poderia deixar de ser, foi Flecheiras.

Ouvi muito Strokes. E Los Hermanos também. Revi amigos. Meninas fizeram o meu coração tremer. Bebi. Dancei. Viajei. E no final continuei com a mesma melancolia de sempre. Ao chegar a casa, revi o meu amigo Nietzsche.



MEU PODRE DENTE

Sofro com o meu dente. É que ele está podre, como diz alguns de meus colegas. Tenho preguiça de ir ao dentista, apesar de ter um plano dentário razoável. Meu dente faz me sentir humano. Ele me faz perceber que sou vulnerável também às dores físicas.


MEU PODRE DENTE, PARTE 2

Depois de algum tempo, mais ou menos cinco anos, fui ao carnaval. O destino, como não poderia deixar de ser, foi flecheiras. Conheci uma garota, que, curiosamente, me fez perceber que a vida paira sobre a ética dos encontros descartáveis. A dita tem namorado, ou tinha, não sei. Foi isso que me deixou meio frágil. Porém compreendi que sob efeito de uma “leve sensação...” as coisas ficam muito mais fáceis, e as atitudes são incrivelmente irracionais. Mais uma vez me senti arrependido pelo que fiz. Infringir as regras românticas não é bem o meu estilo, pois eu sempre me vejo na pele do traído.

Uma menina fez o meu coração tremer. No entanto, aquela que eu queria vez não estava lá. A menina que fez tremer meu coração traiu o seu namorado. Eu me senti mal. Ela também não ficou bem. Fomos para casa sem dirigir uma palavra ao outro, e para a infelicidade do meu dente, a leve sensação passou. Meu pobre dente podre voltará ao dentista e me fará sentir novamente humano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

BETH, 2008.

SERES MAIS PACIENTES.


Espero que você não pergunte sobre as minhas variações. Mas torço para que você esqueça do nosso passado. Descobri uma coisa: a musica de Dylan sempre usurpa a sensatez da minha alma. É como se eu perdesse o último resquício de moral.

Nós, os imoralistas, como diz o filósofo, gostamos da tragédia grega, e também não temos medo de vivê-la. Para os moralistas, a tragédia só pode ser vivida no além de nós. Mas nós a vivemos na própria vida. Não temos medo de sentar a mesa em que ela está sentada. Não temos mais medo do inútil. Somos seres mais pacientes. A solidão nunca nos atingirá.

FARRAS E SONO


Dois dias de folga são o conceito do meu fim de semana. Neste pouquíssimo tempo, apenas duas coisas me fazem companhia: as farras, que geralmente começam à noite, e o sono, que vem logo após as farras.


DOM MANUEL, 375.


Hoje deixei o resto do almoço na lixeira da rua, Na esperança de algum mendigo, ao vasculhar o lixo,o coma. A Avenida Dom Manuel, que, às vezes, parece mais um cemitério que propriamente uma avenida tem um semblante obscurecido. Para os socialistas, ela divide a cidade entre pobres e ricos. Para mim, entretanto, ela é uma prostituta que espera o seu imaginário estrangeiro. Estou aqui a mais ou menos um mês. Não sei ao certo quando cheguei. Moro só. Num cômodo 2 por dois.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A LOUCURA ESTÁ EM "ELECTRICITYSCAPE".


Discordo de Erasmo de Roterdã, sobretudo quando este, em seu ensaio “O elogio da Loucura”, imputa à loucura um caráter comum, findando assim em rebaixá-la a condição de comum, isto é, normal. Loucura, talvez, "seu roterdanzinho", é tão somente uma condição das pessoas santas, das escolhidas, ou, como diz o maruim, separadas. Chamar de loucura todo ato diverso daquilo que é comum é como dizer que todas as músicas são belas e que todos os livros são perfeitos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A FORTE CHUVA

Eu morava numa pensão que carinhosamente era chada de “beth”. Não sei ao certo a origem deste carinhoso apelido; só sei que foi colocado pelos meus amigos. Pois bem, morava eu nesta pensão chamada beth. Um lugar meio hostil, diferente dos condomínios de luxo que brotam do chão. Lá tinha uma liberdade aconchegante, apesar de muito quente. Podemos dizer que era tranquilo.

Por consequencias da vida ou por ironia do destino, apesar de não ser o lugar que eu desajava, brotou do fundo do meu coração um amor muito grande por aquele cômodo dois por dois. Talvez fosse por causa da proximidade do cinema, do mar, dos bares e de todas as coisas que serviam de entorpecente. Talvez fosse por causa do sossego que havia ali, sobretudo quando eu estava deitado na minha cama assitindo tv.

Fiz planos; não muitos, todavia os fiz. Fiz planos, que, numa quinta-feira, foram levados por uma forte tempestade que me deixou meio triste. Mas, segundo Nietzsche, a tragédia faz-nos afirmar mais a vida. É isso! Preciso acreditar que a tragédia fortifica a vida. Preciso acreditar que a fraqueza está em negar a vida. Eu realmente preciso acreditar, pois as condições absurdas estão me fazendo demasiadamente indiferente.