domingo, 27 de abril de 2008

ALGUNS CONCEITOS

Mais uma vez foi incompreendido. Suas opiniões, reflexões e aforismos não valem nada. Odeia o lugar onde está (é um aforismo). Odeia a vida por causa disto (outro aforismo). Ódio: esta é a palavra. Ódio de todas as ações dos monstros que o cercam. Pela primeira vez na vida, teve saudades do domingos que ele passava trabalhando. Ele era feliz. Felicidade: esta é a palavra, quando pensa no passado.

Pela décima quarta vez chorou com a música melosa que tocou no rádio. Chorou. Choro: palavra que ele usa pra demonstrar tristeza, apatia e revolta.

Sente-se um estrangeiro. Sente Amelie. Sente-se Mersault. Sente-se Camus. Chora ao lembrar dos domingos. Pensa. E no final daquela nostalgia, só encontra a felicidade longe dali.

É apático. Não tem forças. Teme por terminar sozinho, e põe novamente a cabeça no travesseiro. Dormir: a maneira sadia que encontrou pra poder fugir do inferno.


sexta-feira, 18 de abril de 2008

É DOMINGO.


Acordou tarde. Sua inconstância aflora com os primeiros raios do sol. Sua cama desarrumada o faz lembrar dos tempos ruins. Um leve tom de indiferença o deixa mais contente com o mundo. Está sozinho – tanto em casa quanto no mundo.

Não toma café. Teme que o café leve embora a sonolência, que, até aquele momento, é uma das coisas boas que há nele. Liga o computador e vê as fotos que tirou na praça – não gostou de nenhuma delas. Finda por excluíras. Envia-as para a lixeira juntamente com seus problemas.

A pia está cheia de louça. Por um instante, sente-se alegre, pois há um bom programa a vista: lavar louça escutando Wagner, Bocelli ou Cold Play.

É domingo. Os programas de esporte dominam a tevê. Mesmo assim ele deita-se no sofá. Tem em suas mão um controle inquieto. A cada dois minutos, muda de canal. Acende um cigarro. Toma suco de laranja com as sobras de uma pizza. Lê algumas crônicas do Airton Monte. Pensa na vida. Dorme. Às três da tarde, acorda e percebe que nem almoçou e nem lavou a louça. Desliga a tevê. Põe-se novamente a dormir. Amanhã – quem sabe – sairá pra procurar um emprego.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Domingo sadio. domingo paralegal.


Domingo é dia de ouvir Beethoven. Não que eu deseje ouvir Beethoven no domingo. Eu sempre gosto de passar o domingo dormindo, porém um maldito cachorro que vive numa casa próxima ao prédio em que eu moro late o domingo inteiro. Não sei bem o motivo de tais latidos, mas suspeito que seja pelo fato dos seus donos vão à praia e deixa-o só. É muito bom ouvir Beethoven, no domingo principalmente (devo agradecer ao maldito cachorro?). Mas eu prefiro usar o domingo pra dormir em vez de ouvir Beethoven. Um dia, talvez, eu acabe por jogar um bife recheado de veneno pra este “cachorro idiota”.

***

Domingo. Vinte e três horas e dez minutos. Estou doente da garganta. Eu sempre fico doente da garganta. Todo ano eu tenho que ficar doente da garganta. Por ano, duas ou três vezes. É terrível. Não é nada bom. Segundo Artur da Távola, eu sou um típico criado pela mãe. No entanto, eu perdi minha mãe muito cedo – aos 10 anos. E agora, continuo sou um típico criado pela mãe? Acho que não. Não sei bem. Apesar de ter sido criado ora pelo pai ora por alguns familiares, eu acabei ficando com o estigma daqueles que são criados pela mãe. Quando gripado, fico deitado esperando alguém vir socorrer-me, e se não vem me ajudar, eu fico deitado até alguém vir. Sou um fracasso. Talvez seja pelo fato de eu ser um típico criado pela mães mas sem mãe. Portanto, minha sina é sair de casa em casa até chegar a ser um típico criado pelo pai.

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Estou apaixonado. Nadine é o nome dela. Passei noites com o coração vazio, porém agora estou apaixonado. Nadine é o nome dela. Ela é linda. Pena que faz direito. Gostaria que ela fosse engenheira - Engenheira de produção, mas ela faz direito. Estou apaixonado por uma menina que faz direito. Acho que já vi esta história antes. Da última fez que me apaixonei por uma menina que faz direito, fiquei muito mal e acabei descobrindo que a culpa foi toda do direito. Maldito direito. Acho que o cachorro barulhento faz direito. Ele late muito, por isso acho que ele faz direito. Maldito cachorro. “cachorro idiota”. Mas o importante é que eu estou apaixonado.

terça-feira, 8 de abril de 2008

A ESPIÃ, 2006.



Rachel Steinn vive numa holanda assolada pelo regime nazista. Desde então, seus sonhos e seu destino estão nas mãos do vigarismo revolucionário. Ela, contudo, não tem uma vida disponível para entregar aos sonhos alheios. Assim, logo descobre que, num ambiente de hostilidade, até os que se dizem corretos são fraudulentos.

Como eu ia dizendo, Rachel é uma judia de família rica, e encontra-se em meio à estupidez do governo nazista. E sua vida é valiosa demais para poder ser entregue ao mito revolucionário. Entretanto, a pobre moça acaba por cair nos ditames fraudulentos do já falido mito sedicional.

Sua liberdade não estava ligada a um regime, mas a liberdade pra cantar a canção deseja. Seu aspecto meio é o principal atrativo da trama. A insistência pela vida mostra-se, nesta obra, uma perfeita sincronia. É, enfim, uma dança onde nem sempre o vencedor é o mais forte.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A DIPLOMACIA DE RUBENS

Conta a História que, em boa parte da sua vida, o pintor alemão Peter. P. Rubens dedicou-se ao exercício da diplomacia, sem, no entanto, ter deixado de lado o seu dom natural: a pintura. Desde pequeno, nunca foi chegado a guerras, nem quando me apaixonei pela áurea que cobre o ambiente europeu. Sempre fui, por assim dizer, um homem da paz, talvez seja por isso que, ao ser desrespeitado por alguns colegas do colégio, sempre revidei com o desprezo ou com uma baixa auto-estima.

Estou a mais ou menos quatro anos na Unifor, e desde o primeiro semestre que entrei ali, fui um crítico ferrenho daquela instituição. Critiquei basicamente o que o estúpido movimento estudantil criticava, ou critica; eu era simplesmente, assim como vários de imbecis que estão na Unifor, um vagabundo que criticava sem nenhuma razão. Coisas erradas existem aos montes, mas posso também dizer que coisas erradas existem em todo lugar. Só um lugar é perfeito: lo cielo.

Pois bem, se não estou aqui pra falar das minhas desavenças com a Unifor, até porque, salvo alguns funcionários da biblioteca, e alguns professores (por sinal muito poucos), acho (ou tenho certeza) que não sou conhecido por nenhum daqueles que fazem a administração-maior da Unifor, por isso é bom que eu diga logo o porquê desta minha humildade para com ela, pois, se este texto cair em mão erradas, elas dirão que eu não passo de um “babão”. O conflito é natural em qualquer lugar do mundo, mas, caso haja um errante nesta estória de amor com a Unifor, este errante sou eu. Por quê? Porque acabo de sair (completamente perplexo) da exposição das obras de Peter Paul Rubens, que se encontra no espaço cultural da Unifor – um elegante espaço onde se expõem grandes artistas mundiais.

Rubens é excepcional. E, se antes minhas paixões eram Van Gogh e Munch, posso dizer sem medo que o barroquismo de Rubens me conquistou. Fiquei desvairado quando vi aquelas cenas bíblicas quase que vivas. É como se a imagem tivesse em movimento. É como se um o espetáculo entre as quatro partes da moldura acontecesse. Podemos ouvir as escrituras bíblicas com os olhos. É lindo. É sentimental. Nunca me emocionei tanto como hoje. Sem dúvida, a Universidade de Fortaleza merece minhas congratulações. No entanto, Rubens também tem todos os créditos, porque a sua diplomacia me aproximou mais da Unifor, fez-me vê-la com outros olhos, isto é, Gli occhi di arte.



Obra: Peter Paul Rubens - "O Caminho do Calvário", óleo sobre madeira medindo 74 x 55 cm. Esbôço para o retábulo, foi encomendado em 1634 e concluído em 1637. Encontra-se no Museu Real de Belas-Artes, Bruxelas. (Fonte:arelíquia.com.br)