domingo, 14 de dezembro de 2008

SOBRE A VONTADE DE FICAR SÓ E A TV

Há mais ou menos três meses, moro só. No começo, tinha apenas um colchão, alguns livros e um laptop. Hoje, aos poucos, consegui mais algumas coisas, como, por exemplo, uma geladeira, uma guarda-roupas, um ventilador, um escorredor de pratos.

Neste momento, a tv mostra as destruições ocorridas em Santa Catarina. Uma tragédia, Uma lamentável tragédia. No entanto, tem seu lado bom, porque aguça o sentimento de recomeço, reconstrução. A tragédia nos faz perceber que não somo nada, e que Deus é o senhor de tudo. A tragédia talvez seja uma revolta não desejada.

Filmes, Novelas, Programas de auditório, Cultos, Missas, Jornais, Entrevistas, etc me fizeram esquecer o que passou. Por passar muito tempo sem assistir tv, estava com uma vontade enorme de passar o fim de semana vendo as besteiras que ela mostra.

Na sexta, tomei vinho tinto suave enquanto via a programação. No sábado, tomei vinho branco e fumei alguns cigarros. Queria esquecer o que passou, e deixei o celular no menu silencioso, para não falar com ninguém, nem mesmo com a minha sobrinha, que estava em plena festinha de ABC.

Reservei o meu fim de semana para a minha tv. Reservei os meus dois dias de folga para a solidão. No final da minha midiática aventura, conclui que, antes que se prove o contrário, não adianta tentar burlar a solidão com festas inúteis. Sair de casa só pra dizer que saiu é deprimente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

VERTENTES POLÍTICAS: UMA ANÁLISE SEMI-ANALÍTICA






Segundo os mais célebres pensadores da humanidade (e aqui não é bom falar quais são estes...), quase sempre, ainda que tarde, é melhor falar por meio de metáforas do que falar propriamente o que se quer dizer. Pois bem, falarei então por metáforas, por que não posso desconsiderar o que os mais célebres pensadores falaram.

A charada posta ao célebre Édipo tinha um pouco da história do meu pensamento. O dia, a tarde e a noite foram os senhores do meu pensamento. No campo do pensamento, tive experiências regulares. Posso dizer basicamente que, ainda que muito confusa, já estive de quase todos os lados, pelo menos quando se trata de política.

Durante muito tempo, por culpa da escola partidária, fui obrigado a ser militante do esquerdismo. No entanto, graças ao meu bom Deus, nunca me filiei a nenhum partido político, apesar de que, quando aluno da escola partidária, quase que me filiei a um dos partidos de esquerda, se não me falha a memória, o Partido Democrático Trabalhista, mais conhecido como PDT.

Fiquei na esquerda por um bom tempo, tempo suficiente para esquecer os ideais trabalhistas. Confesso que também tive uma queda pelo Partido dos Trabalhadores. Foi leve, mas posso considerar que, também, na história de minhas ideologias, o PT fez parte do meu pensamento, ainda que seja vergonhoso. Em seguida, com o andar da carruagem e do tempo, vi que o vermelho da bandeira era de sangue, sangue derramado não pela luta, mas pelas vítimas da ditadura de Stalin, Mao e cia. Assim, deixei definitivamente de considerar-me esquerdista.

Após sair dos ideais de esquerda, aproximei-me mais dos Anarquistas, e, se na esquerda eu estava apenas por paixão, ou melhor, por fascínio pelas bandeiras vermelhas que as multidões balançavam, no ideal Anarquista, estive ligado pela vontade do conhecimento, estava ligado pela força da leitura. Li de Wistanley a Thoreau. Minha vontade e meu pensamento anarquista foram basicamente o combustível à leitura. Li por bastante tempo os anarquistas, do mais pacífico, como Proudhon, ao mais radical, como Bakunin. Li e os conheci. Mas os Anarquistas não mostravam uma solução prática, não eram plausíveis. Eram abstratos por demasia. Em suma, considerei os anarquistas românticos demais, daí os deixei, mas, quer saber, acho que eu ainda sou um anarquista.

Também tive meu momento direitista. Conheci Olavo, Reinaldo e todos estes que militam do outro lado ocidental do muro de Berlim. Ao invés de Guevara, eles elogiam Bush. É basicamente a mesma coisa. Eu odeio Bush e Guevara. Eles representam a militância, e de militância eu estou cheio. Cansei de militar. Agora prefiro respirar ao meu próprio modo. Ficarei calado, sobretudo no clamor das discussões política. Aristóteles que me perdoe, mas acho que não sou mais um animal político. Cansei de ideologias, sobretudo a ideologia política. A única ideologia que ainda tenho é a ideologia teológica. Ainda sou Cristão, e pretendo continua Cristão por muito tempo. Cristão, somente Cristão. Serei um Cristão pacato.

Agora vou dormir, porque o meu dente está doendo. Sabe, desde domingo, estou sem fumar um cigarro. A fumaça do cigarro faz doer o meu dente. Amanhã irei ao dentista. Talvez, na sexta, volte a fumar, mas desta vez fumarei os cigarros mais fracos, pois o Camel está dando-me fortes dores de cabeça. Pra resumir, cansei da batalha de Maria Antônia. Cansei de ideais políticos. Agora sou libertário. Sou livre. Sou amante da vida, e não imagino outra coisa que seja vida.