quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ZERO mais DEZ, ou 0 + 10


Depois de muito andar, decidi escrever sobre os melhores dias que tive aqui na terra.
Não são tão grandes momentos assim, mas um pouco de uma aventura incrivelmente delirante.

Passei sete anos da minha vida morando num lugar inóspito. Um lugar terrível. Uma falsa moradia. Eu era muito infeliz. Chorava quase todas as noites. Sentia saudades da liberdade que me roubaram. Se lágrimas caem hoje dos meus olhos, é porque eu sinto que a minha liberdade esta quase consumada.

Neste momento, choro. Choro muito. Mas não é um choro melancólico. Não sei explicar o que é bem, porém acho que não é melancolia. .

Sou filho de um homem determinado. Sou órfão de uma mulher linda. Minha mãe: a mulher mais linda do mundo. Sinto saudades da sua voz e, sobretudo, de sua ternura.

Talvez, quando eu morrer, eu a encontre. Quero muito reencontrá-la.

Como falei, sou órfão de mãe, e, desde que ela se foi, num terrível dez de marco de mil novecentos e noventa e quatro, os meus dias não são mais tão bons. Feliz? Não! Tolero a vida. Aceito todas as condições possíveis. Escuto mais, entendo menos.

Boa noite!

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre a rebelião e o destino: o garoto que vende isqueiros.



Descobri na humildade o prazer de viver. Descobri na vida o prazer da humildade. Leia-se, no entanto, uma humildade que não se confunde com a falta de vontade. Uma humildade mais racional, mais inteligente.

No final de maio deste ano, fui à praia com dois amigos. Era uma quarta-feira. Eu estava com a intenção de sair da situação que estava vivendo. Eu estava sem emprego, e estava decidido a não voltar mais pra casa onde quase morri. contudo, faltava pensamento para definir o que eu queria, e falta coragem para ser o combustível para acelerar aquela combustão invitável. Era isto mesmo que estava faltando: pensamento e coragem.

A praia me ajudou a pensar. Enquanto bebíamos cerveja, pensei muito. Pra ser bem sincero comigo mesmo, naquele dia, os pensamentos aceleraram, e num piscar de olhos, recordei algumas estratégias, e tracei o plano perfeito pra ascender a rebelião que iria modificar o meu destino. Pensei e encontrei o caminho que levaria outras pessoas ao mesmo caminho que eu estava disposto a traçar. Encontrei o caminho. Encontrei a estratégia. Encontrei o pensamento. Faltava, entretanto, uma coisa: a coragem, ou o agir.

Já tinha o fim, isto é, já tinha o caminho para a minha terna felicidade, e, antes que se completassem dez cervejas na mesa, um garoto me chamou a atenção. Não lembro o nome dele, mas lembro do carisma que ele possuía. Lembro de sua gratidão e de sua coragem, que logo entraram em meu coração, tirando o que se encontrava no mundo das idéias, colocando-os no mundo material.

o personagem que me chamou a atençaõ era um garoto que vendia isqueiros. Um garoto que, como diz o Amarante, precisava tirar a sorte para poder tê-la. Não era um menino-de-rua, era um autêntico super-homem nietzschiano que não se contentava com o destino, e tinha vontade de sobra pra mudar o que já parecia traçado. o determinismo não o dominava. Ele não sonhava, ele realizava. Ele não podia ser partidário do idealismo, porque naquela situação o idealismo não iria alimentá-lo. Ele pensava pouco. Ao invés de falar, ele fazia, e, sem dúvida alguma, estava sujeito a errar perigosamente, como, por exemplo, está sentado à mesa com pessoas desconhecidas.

O fato é que a força daquele garotinho me fez mais forte. Saí da praia decidido a enveredar-me por outros caminhos (e realmente enveredei). Saí de uma situação medíocre. Saí de uma cova. Ressuscitei. Emergi. Hoje vivo muito melhor. Sou feliz. Obrigado, garoto vendedor de isqueiros, Deus o recompensará...


Na fotografia: O garoto que vende isqueiros e tio guigui.

domingo, 7 de setembro de 2008

MONÓLOGO


Falta um minuto pra cinco horas da manhã. Neste exato momento, estou pensando no meu perfil do orkut. Sim! É isso mesmo. Estou pensado no meu perfil do orkut. Cansei de postar letra de música. Cansei de citar os meus melhores filósofos, e isso me deixa na obrigação de escrever algo.

Nasci num catorze de março. Nasci ao meio dia de uma quarta-feira apaticamente normal. Até agora estou vivo, mas parte de mim, no dia dez de março de mil novecentos e noventa e quatro (uma quinta-feira ensolarada), me deixou chorando na janela. Foi o ano do tetra campeonato da Seleção. Foi o ano em que vi minha mãe pela última vez.

Sou um cara apagadamente normal. A loucura estaria eu difamando, caso resolvesse chamar-me de louco. Sou apaticamente normal. Pra falar a verdade, normal demais. Faço tudo o que os outros fazem ou desejam fazer. Escondo o sorriso sempre que algo vai mal. Pra comemorar as tolices que eu faço, bebo vinho e fumo cigarros. Pra me fortalecer, leio os salmos de Davi e durmo.

Escuto as canções de Nando Reis pra pensar numa menina que conheci na praia. Há nove anos nossas vidas cruzaram-se. Há nove anos, os meus dias estão diretamente ligados à menina que conheci na praia. Naquele dia, havia uma harmonia perfeita. Era um dia tranqüilo. O sol brilhava. Ela estava com um lindo biquíni vermelho. E a parte de mim que estava morta voltou e enxugou as lágrimas que antes escorriam pelo meu rosto. Nossas vidas têm a discrepância como elo.

Leio Kerouac e Thoreau pra não perder o gosto pela vida e pela liberdade. Sou apaixonado por filmes. Os filmes me fazem esquecer as preocupações. Os filmes são como uma fuga delirante. Quando vejo meus melhores filmes, uma sensação de liberdade invade a minha alma abruptamente; é semelhante ao dia em que eu, numa madrugada friorenta, embarquei para um lugar complexamente inusitado.

Tenho poucos amigos, e sei que há pessoas que não gostam de mim. Conheço muitas pessoas, contudo são apenas conhecidos. Confio nos meus amigos. Alguns dos meus familiares também são dignos de minha confiança, sobretudo meu pai e minha irmã Eveline. Pra ser sincero, tenho uma leve impressão de que os meus familiares acham minhas atitudes infantis demais, mas eu não ligo muito para o que eles acham. Como diz o Nando: “prefiro as pernas que me movimentam”.

O sol já saiu. Passei a noite acordado. São seis e vinte um. Uma garrafa de vinho vazia me faz companhia. Da minha janela vejo um gato que anda levemente pelo muro de uma velha casa. Pensei muito no meu perfil do orkut, e isso me deixou confuso. Será real? Ou uma mera ficção? Não sei bem. Vou dormir, porque preciso sonhar com a menina que conheci na praia.