domingo, 14 de dezembro de 2008

SOBRE A VONTADE DE FICAR SÓ E A TV

Há mais ou menos três meses, moro só. No começo, tinha apenas um colchão, alguns livros e um laptop. Hoje, aos poucos, consegui mais algumas coisas, como, por exemplo, uma geladeira, uma guarda-roupas, um ventilador, um escorredor de pratos.

Neste momento, a tv mostra as destruições ocorridas em Santa Catarina. Uma tragédia, Uma lamentável tragédia. No entanto, tem seu lado bom, porque aguça o sentimento de recomeço, reconstrução. A tragédia nos faz perceber que não somo nada, e que Deus é o senhor de tudo. A tragédia talvez seja uma revolta não desejada.

Filmes, Novelas, Programas de auditório, Cultos, Missas, Jornais, Entrevistas, etc me fizeram esquecer o que passou. Por passar muito tempo sem assistir tv, estava com uma vontade enorme de passar o fim de semana vendo as besteiras que ela mostra.

Na sexta, tomei vinho tinto suave enquanto via a programação. No sábado, tomei vinho branco e fumei alguns cigarros. Queria esquecer o que passou, e deixei o celular no menu silencioso, para não falar com ninguém, nem mesmo com a minha sobrinha, que estava em plena festinha de ABC.

Reservei o meu fim de semana para a minha tv. Reservei os meus dois dias de folga para a solidão. No final da minha midiática aventura, conclui que, antes que se prove o contrário, não adianta tentar burlar a solidão com festas inúteis. Sair de casa só pra dizer que saiu é deprimente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

VERTENTES POLÍTICAS: UMA ANÁLISE SEMI-ANALÍTICA






Segundo os mais célebres pensadores da humanidade (e aqui não é bom falar quais são estes...), quase sempre, ainda que tarde, é melhor falar por meio de metáforas do que falar propriamente o que se quer dizer. Pois bem, falarei então por metáforas, por que não posso desconsiderar o que os mais célebres pensadores falaram.

A charada posta ao célebre Édipo tinha um pouco da história do meu pensamento. O dia, a tarde e a noite foram os senhores do meu pensamento. No campo do pensamento, tive experiências regulares. Posso dizer basicamente que, ainda que muito confusa, já estive de quase todos os lados, pelo menos quando se trata de política.

Durante muito tempo, por culpa da escola partidária, fui obrigado a ser militante do esquerdismo. No entanto, graças ao meu bom Deus, nunca me filiei a nenhum partido político, apesar de que, quando aluno da escola partidária, quase que me filiei a um dos partidos de esquerda, se não me falha a memória, o Partido Democrático Trabalhista, mais conhecido como PDT.

Fiquei na esquerda por um bom tempo, tempo suficiente para esquecer os ideais trabalhistas. Confesso que também tive uma queda pelo Partido dos Trabalhadores. Foi leve, mas posso considerar que, também, na história de minhas ideologias, o PT fez parte do meu pensamento, ainda que seja vergonhoso. Em seguida, com o andar da carruagem e do tempo, vi que o vermelho da bandeira era de sangue, sangue derramado não pela luta, mas pelas vítimas da ditadura de Stalin, Mao e cia. Assim, deixei definitivamente de considerar-me esquerdista.

Após sair dos ideais de esquerda, aproximei-me mais dos Anarquistas, e, se na esquerda eu estava apenas por paixão, ou melhor, por fascínio pelas bandeiras vermelhas que as multidões balançavam, no ideal Anarquista, estive ligado pela vontade do conhecimento, estava ligado pela força da leitura. Li de Wistanley a Thoreau. Minha vontade e meu pensamento anarquista foram basicamente o combustível à leitura. Li por bastante tempo os anarquistas, do mais pacífico, como Proudhon, ao mais radical, como Bakunin. Li e os conheci. Mas os Anarquistas não mostravam uma solução prática, não eram plausíveis. Eram abstratos por demasia. Em suma, considerei os anarquistas românticos demais, daí os deixei, mas, quer saber, acho que eu ainda sou um anarquista.

Também tive meu momento direitista. Conheci Olavo, Reinaldo e todos estes que militam do outro lado ocidental do muro de Berlim. Ao invés de Guevara, eles elogiam Bush. É basicamente a mesma coisa. Eu odeio Bush e Guevara. Eles representam a militância, e de militância eu estou cheio. Cansei de militar. Agora prefiro respirar ao meu próprio modo. Ficarei calado, sobretudo no clamor das discussões política. Aristóteles que me perdoe, mas acho que não sou mais um animal político. Cansei de ideologias, sobretudo a ideologia política. A única ideologia que ainda tenho é a ideologia teológica. Ainda sou Cristão, e pretendo continua Cristão por muito tempo. Cristão, somente Cristão. Serei um Cristão pacato.

Agora vou dormir, porque o meu dente está doendo. Sabe, desde domingo, estou sem fumar um cigarro. A fumaça do cigarro faz doer o meu dente. Amanhã irei ao dentista. Talvez, na sexta, volte a fumar, mas desta vez fumarei os cigarros mais fracos, pois o Camel está dando-me fortes dores de cabeça. Pra resumir, cansei da batalha de Maria Antônia. Cansei de ideais políticos. Agora sou libertário. Sou livre. Sou amante da vida, e não imagino outra coisa que seja vida.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Em Casa



Não sei ao certo, mas acho que este é um dos sábados que passo plenamente em casa. É esquisito, o sábado em casa tornou-se diferente. Uma garrafa de Sauvignon me faz companhia. Canções de Bob Marley relaxam o meu espírito. Meu vizinho da esquerda está escutando Iron Maider. A minha vizinha da frente saiu com as amigas. Um outro vizinho faz faxina. E eu? Eu esculto Bob Marley tomando vinho.

A solidão é interessante. A solidão é um jogo. A solidão e um jogo que se joga só. E, por ser um jogo que se joga só, não há como perder. A solidão não é a ausência de companhia, mas a ausência de uma boa conversa. É verdade quando dizem que se pode está só em meio à multidão.


Jantei no Dom Kilme, um restaurante de terceira ou quarta categoria que abriga todo tipo gente, de chilenos bebedores de cerveja a prostitutas que comem pizza antes de ir ao, digamos, trabalho. No Dom a relação custo benefício é uma das melhores. Não há como resistir um contra-filé no Dom, é bom e barato.Um contra-filé, uma caneca de vinho tinto e uma garrafa de água saem por menos de nove reais.


Após o jantar, andei pelo bairro. Encontrei um park de diversões. Lembre de minha sobrinha Maria de Fátima. Comprei água. Acessei o orkut, na lan house do supermercado. Andei novamente pelo bairro. Não tive vontade de ir ao dragão. A noite de sábado resumiu-se ao conhecimento, que é a única coisa que não levarão de mim. Talvez eu me acostume a isto. Talvez não seja mesmo bom embriagar-se em público. A embriaguez é perfeita quando se está só, porque não limitamos as nossas ações.


Bob Marley se foi. Gessinger me faz companhia, mais precisamente o álbum simples de coração, que talvez o melhor disco de Gessinger. A madrugada se aproxima. Estou a mais ou menos três horas se dizer uma palavra. Farei voto de silêncio até ao meio-dia de domingo. Não falarei nada. Se o celular tocar, eu não atenderei.


Agora é a gaita de Dylan que invade a fumaça do meu cigarro. É hora de dormir, são cinco e dez da manhã.



Boa noite!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Viva La Vida



Viva la vida”, de Coldplay, foi o álbum mais vendido do ano. Arranjos fantásticos, letras simples, canções fabulosas são alguns dos adjetivos que podemos usar para resumir este disco. Este álbum foi primeiro lugar na França, USA, Tókio, Grã-Bretanha, mas, como era de se esperar, no Brasil, não foi nem segundo lugar.







O Brasil, como diz o filósofo, está condenado ao fracasso.








Num País onde o papel do presidente do Tribunal Superior é receber deputados em seu gabinete, haverá esperança para a música?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

9.11.2008


Tentei afastar de mim o que não me pertencia. Consegui! Afastei todos os pertences indesejáveis, e hoje tenho uma fotografia de Nietzsche na minha janela. Afastei de mim as injustiças. Posso dizer que a felicidade é epicurista. E posso dizer também que, se exagerada, a virtude transforma-se em vício.

Não sei se devo me respeitar, afinal eu não sou a pessoa mais importante deste mundo; todavia não sou a menos importante – quem será?

Sinto o meu espírito num estado de absoluta compreensão e indiferença. É como se eu não estivesse ligando para os acontecimentos. Minha alma está cansada, talvez morta. Pra ser sincero, minh’alma é niilista. E eu também sou. Isso é ruim? Eu não acho. É muito bom não querer ser um vencedor. Quanto à compreensão, as pessoas agora parecem mais compreensíveis. É como se um psicólogo invisível sussurrasse em meu ouvido o diagnóstico de cada problema.

Se eu não precisasse de comida, de roupas e de um teto, eu não trabalharia. Só trabalho por necessidade. Faço as coisas por necessidade. No entanto, eu também necessito de sossego, por isso não tardo em desprezar tudo aquilo que me faz utilizar a força. Do que adianta os debates, se ninguém vai fazer os que eles dizem?

Sem vaidade chega-se a qualquer lugar do mundo. Não é uma questão de valores de escravo, como bem explica Nietzsche, a questão é mais rica, é mais profunda. Qual o sentido de um debate corrompido? Corroper-se com ele?

Eu tenho medo da certeza de que não verei certas coisas. Queria viajar ao futuro, para ver se vou perder muita coisa. Porém, se um dia eu conseguir viajar ao futuro, não deixarei de ver as coisas que criaram depois de minha morte, e isso não tem graça nenhuma. Beethoven morreu sem comemorar um gol do Fluminense (sim! Se ele tivesse nascido na época do futebol, sem dúvida, seria Fluzão) , porque, como bem sabemos, na época dele, ainda não haviam criado o futebol. Oscar Wilde não conheceu o Orkut. E eu? Vou deixa de conhecer o quê? Isso é me pertuba muito.

Domingo. Muito sono. Dois filmes. Nenhuma OSESP. Um contra-filé no dom kilmer, assistindo ao faustão. Muitos malboros. Coca-cola. Sono. Mensagens no celular. Dúvidas. Certeza: a de que eu não verei certas coisas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Por três vezes bateram e disseram:

Não queremos

Mais magoá-la

Mas, nesta montanha,

O único assunto

Somos nós.

Não queremos

Desmenti-la,

Mas precisamos

Das suas mentira

s pra sobreviver.

E não

Escondemos

A verdade,

Nós só a usamos

Em ocasiões especiais.

E não

Queremos

Mais puni-la,

Mas precisamos

Das suas dores

Pra enlouquecer.

E não temos

A frivolidade

Dos moribundos,

Mas temos

A derrota

Dos descontentes.

E não temos

Mais açúcar...

O nosso

Café

Acabou.

E nem

cigarros

Temos mais.

A chuva

Atrapalhou

Os nossos

Planos.

No jogo da guerra da vida, o filme só termina quando acaba

lguns livros, duas garrafas de vinho (ainda cheias), muitos filmes, alguns escritos; sapatos, mochilas, ventilador, espelho, cigarros, vassoura; cama, garrafa de água, duas cadeiras: testemunhas de uma felicidade diferente. Testemunhas de um amor perpétuo. Testemunhas de uma solidão em grande estilo. É isso mesmo que eles são... Testemunhas de uma solidão perpétua e em grande estilo!


Vi os pássaros e não os entendia. E também não entendia a o mestre que falava de liberdade e que, no entanto, mantinha os pássaros engaiolados. Também não entedia a sabedoria do mestre que, num passe de mágica, falava de carisma, porém não olhava para o outro ocupante do elevador.


Eu não entendia nada. E fiquei calado durante os curtos e inúteis dias que passei ali.


E vivi. E vivi. Mas também tive vontade de morrer. Tive vontade de sumir (e realmente sumi). As paredes de pedra não impediram o vôo do amor. As paredes e o opróbrio familiar bem que tentaram, mas não impediram a grandeza de um ensaio. A grandeza de apenas um ensaio. É ensaio, porque a peça em si ainda há de vir.


E quem é o elenco desta peça?


A resposta...

Alguns livros, duas garrafas de vinho (ainda cheias), muitos filmes, alguns escritos; sapatos, mochilas, ventilador, espelho, cigarros, vassoura; cama, garrafa de água, duas cadeiras: testemunhas de uma felicidade diferente. Testemunhas de um amor perpétuo. Testemunhas de uma solidão em grande estilo. É isso mesmo que eles são... Testemunhas de uma solidão perpétua e em grande estilo!



The fim.





quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ZERO mais DEZ, ou 0 + 10


Depois de muito andar, decidi escrever sobre os melhores dias que tive aqui na terra.
Não são tão grandes momentos assim, mas um pouco de uma aventura incrivelmente delirante.

Passei sete anos da minha vida morando num lugar inóspito. Um lugar terrível. Uma falsa moradia. Eu era muito infeliz. Chorava quase todas as noites. Sentia saudades da liberdade que me roubaram. Se lágrimas caem hoje dos meus olhos, é porque eu sinto que a minha liberdade esta quase consumada.

Neste momento, choro. Choro muito. Mas não é um choro melancólico. Não sei explicar o que é bem, porém acho que não é melancolia. .

Sou filho de um homem determinado. Sou órfão de uma mulher linda. Minha mãe: a mulher mais linda do mundo. Sinto saudades da sua voz e, sobretudo, de sua ternura.

Talvez, quando eu morrer, eu a encontre. Quero muito reencontrá-la.

Como falei, sou órfão de mãe, e, desde que ela se foi, num terrível dez de marco de mil novecentos e noventa e quatro, os meus dias não são mais tão bons. Feliz? Não! Tolero a vida. Aceito todas as condições possíveis. Escuto mais, entendo menos.

Boa noite!

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre a rebelião e o destino: o garoto que vende isqueiros.



Descobri na humildade o prazer de viver. Descobri na vida o prazer da humildade. Leia-se, no entanto, uma humildade que não se confunde com a falta de vontade. Uma humildade mais racional, mais inteligente.

No final de maio deste ano, fui à praia com dois amigos. Era uma quarta-feira. Eu estava com a intenção de sair da situação que estava vivendo. Eu estava sem emprego, e estava decidido a não voltar mais pra casa onde quase morri. contudo, faltava pensamento para definir o que eu queria, e falta coragem para ser o combustível para acelerar aquela combustão invitável. Era isto mesmo que estava faltando: pensamento e coragem.

A praia me ajudou a pensar. Enquanto bebíamos cerveja, pensei muito. Pra ser bem sincero comigo mesmo, naquele dia, os pensamentos aceleraram, e num piscar de olhos, recordei algumas estratégias, e tracei o plano perfeito pra ascender a rebelião que iria modificar o meu destino. Pensei e encontrei o caminho que levaria outras pessoas ao mesmo caminho que eu estava disposto a traçar. Encontrei o caminho. Encontrei a estratégia. Encontrei o pensamento. Faltava, entretanto, uma coisa: a coragem, ou o agir.

Já tinha o fim, isto é, já tinha o caminho para a minha terna felicidade, e, antes que se completassem dez cervejas na mesa, um garoto me chamou a atenção. Não lembro o nome dele, mas lembro do carisma que ele possuía. Lembro de sua gratidão e de sua coragem, que logo entraram em meu coração, tirando o que se encontrava no mundo das idéias, colocando-os no mundo material.

o personagem que me chamou a atençaõ era um garoto que vendia isqueiros. Um garoto que, como diz o Amarante, precisava tirar a sorte para poder tê-la. Não era um menino-de-rua, era um autêntico super-homem nietzschiano que não se contentava com o destino, e tinha vontade de sobra pra mudar o que já parecia traçado. o determinismo não o dominava. Ele não sonhava, ele realizava. Ele não podia ser partidário do idealismo, porque naquela situação o idealismo não iria alimentá-lo. Ele pensava pouco. Ao invés de falar, ele fazia, e, sem dúvida alguma, estava sujeito a errar perigosamente, como, por exemplo, está sentado à mesa com pessoas desconhecidas.

O fato é que a força daquele garotinho me fez mais forte. Saí da praia decidido a enveredar-me por outros caminhos (e realmente enveredei). Saí de uma situação medíocre. Saí de uma cova. Ressuscitei. Emergi. Hoje vivo muito melhor. Sou feliz. Obrigado, garoto vendedor de isqueiros, Deus o recompensará...


Na fotografia: O garoto que vende isqueiros e tio guigui.

domingo, 7 de setembro de 2008

MONÓLOGO


Falta um minuto pra cinco horas da manhã. Neste exato momento, estou pensando no meu perfil do orkut. Sim! É isso mesmo. Estou pensado no meu perfil do orkut. Cansei de postar letra de música. Cansei de citar os meus melhores filósofos, e isso me deixa na obrigação de escrever algo.

Nasci num catorze de março. Nasci ao meio dia de uma quarta-feira apaticamente normal. Até agora estou vivo, mas parte de mim, no dia dez de março de mil novecentos e noventa e quatro (uma quinta-feira ensolarada), me deixou chorando na janela. Foi o ano do tetra campeonato da Seleção. Foi o ano em que vi minha mãe pela última vez.

Sou um cara apagadamente normal. A loucura estaria eu difamando, caso resolvesse chamar-me de louco. Sou apaticamente normal. Pra falar a verdade, normal demais. Faço tudo o que os outros fazem ou desejam fazer. Escondo o sorriso sempre que algo vai mal. Pra comemorar as tolices que eu faço, bebo vinho e fumo cigarros. Pra me fortalecer, leio os salmos de Davi e durmo.

Escuto as canções de Nando Reis pra pensar numa menina que conheci na praia. Há nove anos nossas vidas cruzaram-se. Há nove anos, os meus dias estão diretamente ligados à menina que conheci na praia. Naquele dia, havia uma harmonia perfeita. Era um dia tranqüilo. O sol brilhava. Ela estava com um lindo biquíni vermelho. E a parte de mim que estava morta voltou e enxugou as lágrimas que antes escorriam pelo meu rosto. Nossas vidas têm a discrepância como elo.

Leio Kerouac e Thoreau pra não perder o gosto pela vida e pela liberdade. Sou apaixonado por filmes. Os filmes me fazem esquecer as preocupações. Os filmes são como uma fuga delirante. Quando vejo meus melhores filmes, uma sensação de liberdade invade a minha alma abruptamente; é semelhante ao dia em que eu, numa madrugada friorenta, embarquei para um lugar complexamente inusitado.

Tenho poucos amigos, e sei que há pessoas que não gostam de mim. Conheço muitas pessoas, contudo são apenas conhecidos. Confio nos meus amigos. Alguns dos meus familiares também são dignos de minha confiança, sobretudo meu pai e minha irmã Eveline. Pra ser sincero, tenho uma leve impressão de que os meus familiares acham minhas atitudes infantis demais, mas eu não ligo muito para o que eles acham. Como diz o Nando: “prefiro as pernas que me movimentam”.

O sol já saiu. Passei a noite acordado. São seis e vinte um. Uma garrafa de vinho vazia me faz companhia. Da minha janela vejo um gato que anda levemente pelo muro de uma velha casa. Pensei muito no meu perfil do orkut, e isso me deixou confuso. Será real? Ou uma mera ficção? Não sei bem. Vou dormir, porque preciso sonhar com a menina que conheci na praia.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

entre um café e a psicanálise



Estávamos no café. eu estava de preto. ela estava de preto. conversávamos tranqüilamente sobre os problemas familiares. ela preocupada com o filho, porque o garoto estava com uns sintomas esquisitos. E eu, no entanto, estava preocupado com a cor do batom que ela usava. ela tomava café. eu tomava suco de laranja.

perdemos alguns minutos com aquela conversa meio calafrienta. mas, pela primeira vez, ficávamos cara a cara e sem o velho balcão nos atrapalhando.

passamos um bom tempo fingindo que a conversa estava interessante. evitávamos nos olhar. parávamos de vez em quando num silêncio grosseiro. estávamos nos privando do mundo, porque o mundo estava navegando na xícara de café.

...

logo veio o fim do assunto, e eu perdi o fio da conversa. estava com um toque de aflição. veio a despedida. veio o beijo, que, por sinal, tardou acontecer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

saudade?.. nenhuma!

a história da vida se repete. o homem luta com as armas que possui nas mãos. o velho e bom sabor do cigarro alivia as dores de um sub-mundo coberto de estrelas apagadas. as dores do mundo são três: a esperada da mulher amada, a ânsia por um lugar tranqüilo e a insuficiência diante dos insultos mundanos. existem analgésicos? sim!.. música, cerveja (ou vinho) e cigarros (até os naturais). três dores. três soluções. "a vida é doce".

o tempo parece está curto. não há mais tempo pra nada. bom? muito bom! porque o salário é bom. saudades? não tenho saudades de nada. sinto um apenas uma dor: quando lembro que passei sete anos impotente, fraco, deprimido. saudades?.. nenhuma!

eu não faria tudo novamente, porque foi muito ruim. mas, sem dúvida, as noites que passei embriago foram as melhores que tive. aliás, todas as noites de embriaguez são boas.

não tenho mais tempo pro olavo, pois exige sossego intelectual. não tenho mais tempo para os livros, pois ando muito cansado. não há mais tempo pra poesia, porque a minha poesia agora é a vida, é a prática, é a rapidez, que, breve, será substituída por uma vontade de ir embora pra Europa. Saudades?... nenhuma! rsrsrs

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Camel


no fórum clóvis beviláqua

voltei ao local mais biruta do brasil. sim, voltei ao "clovão", ou "titanic". estou feliz. aos poucos, encontro velhos amigos. entre uma secretaria e outra, paro pra pensar na vida. às vezes, me flagro cantarolando uma canção de nado reis ou de amarante.

a vida continua. fiquei de final em quatro. terei muitas provas na próxima semana. tenho que tirar um tempo pra estudar. amanhã, 20 de junho de 2008, terei motivos pra comemorar.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

dias de amor

estou trabalhando muito. quase não tenho tempo pra nada. tenho uma sutil impressão de que os meus sonhos serão concretizados. nesta exato momento, deixo os dedos sobre o teclado e permito que a minha fadiga escreva algo neste blog. acho que estou totalmente curado.

domingo, 27 de abril de 2008

ALGUNS CONCEITOS

Mais uma vez foi incompreendido. Suas opiniões, reflexões e aforismos não valem nada. Odeia o lugar onde está (é um aforismo). Odeia a vida por causa disto (outro aforismo). Ódio: esta é a palavra. Ódio de todas as ações dos monstros que o cercam. Pela primeira vez na vida, teve saudades do domingos que ele passava trabalhando. Ele era feliz. Felicidade: esta é a palavra, quando pensa no passado.

Pela décima quarta vez chorou com a música melosa que tocou no rádio. Chorou. Choro: palavra que ele usa pra demonstrar tristeza, apatia e revolta.

Sente-se um estrangeiro. Sente Amelie. Sente-se Mersault. Sente-se Camus. Chora ao lembrar dos domingos. Pensa. E no final daquela nostalgia, só encontra a felicidade longe dali.

É apático. Não tem forças. Teme por terminar sozinho, e põe novamente a cabeça no travesseiro. Dormir: a maneira sadia que encontrou pra poder fugir do inferno.


sexta-feira, 18 de abril de 2008

É DOMINGO.


Acordou tarde. Sua inconstância aflora com os primeiros raios do sol. Sua cama desarrumada o faz lembrar dos tempos ruins. Um leve tom de indiferença o deixa mais contente com o mundo. Está sozinho – tanto em casa quanto no mundo.

Não toma café. Teme que o café leve embora a sonolência, que, até aquele momento, é uma das coisas boas que há nele. Liga o computador e vê as fotos que tirou na praça – não gostou de nenhuma delas. Finda por excluíras. Envia-as para a lixeira juntamente com seus problemas.

A pia está cheia de louça. Por um instante, sente-se alegre, pois há um bom programa a vista: lavar louça escutando Wagner, Bocelli ou Cold Play.

É domingo. Os programas de esporte dominam a tevê. Mesmo assim ele deita-se no sofá. Tem em suas mão um controle inquieto. A cada dois minutos, muda de canal. Acende um cigarro. Toma suco de laranja com as sobras de uma pizza. Lê algumas crônicas do Airton Monte. Pensa na vida. Dorme. Às três da tarde, acorda e percebe que nem almoçou e nem lavou a louça. Desliga a tevê. Põe-se novamente a dormir. Amanhã – quem sabe – sairá pra procurar um emprego.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Domingo sadio. domingo paralegal.


Domingo é dia de ouvir Beethoven. Não que eu deseje ouvir Beethoven no domingo. Eu sempre gosto de passar o domingo dormindo, porém um maldito cachorro que vive numa casa próxima ao prédio em que eu moro late o domingo inteiro. Não sei bem o motivo de tais latidos, mas suspeito que seja pelo fato dos seus donos vão à praia e deixa-o só. É muito bom ouvir Beethoven, no domingo principalmente (devo agradecer ao maldito cachorro?). Mas eu prefiro usar o domingo pra dormir em vez de ouvir Beethoven. Um dia, talvez, eu acabe por jogar um bife recheado de veneno pra este “cachorro idiota”.

***

Domingo. Vinte e três horas e dez minutos. Estou doente da garganta. Eu sempre fico doente da garganta. Todo ano eu tenho que ficar doente da garganta. Por ano, duas ou três vezes. É terrível. Não é nada bom. Segundo Artur da Távola, eu sou um típico criado pela mãe. No entanto, eu perdi minha mãe muito cedo – aos 10 anos. E agora, continuo sou um típico criado pela mãe? Acho que não. Não sei bem. Apesar de ter sido criado ora pelo pai ora por alguns familiares, eu acabei ficando com o estigma daqueles que são criados pela mãe. Quando gripado, fico deitado esperando alguém vir socorrer-me, e se não vem me ajudar, eu fico deitado até alguém vir. Sou um fracasso. Talvez seja pelo fato de eu ser um típico criado pela mães mas sem mãe. Portanto, minha sina é sair de casa em casa até chegar a ser um típico criado pelo pai.

***

Estou apaixonado. Nadine é o nome dela. Passei noites com o coração vazio, porém agora estou apaixonado. Nadine é o nome dela. Ela é linda. Pena que faz direito. Gostaria que ela fosse engenheira - Engenheira de produção, mas ela faz direito. Estou apaixonado por uma menina que faz direito. Acho que já vi esta história antes. Da última fez que me apaixonei por uma menina que faz direito, fiquei muito mal e acabei descobrindo que a culpa foi toda do direito. Maldito direito. Acho que o cachorro barulhento faz direito. Ele late muito, por isso acho que ele faz direito. Maldito cachorro. “cachorro idiota”. Mas o importante é que eu estou apaixonado.

terça-feira, 8 de abril de 2008

A ESPIÃ, 2006.



Rachel Steinn vive numa holanda assolada pelo regime nazista. Desde então, seus sonhos e seu destino estão nas mãos do vigarismo revolucionário. Ela, contudo, não tem uma vida disponível para entregar aos sonhos alheios. Assim, logo descobre que, num ambiente de hostilidade, até os que se dizem corretos são fraudulentos.

Como eu ia dizendo, Rachel é uma judia de família rica, e encontra-se em meio à estupidez do governo nazista. E sua vida é valiosa demais para poder ser entregue ao mito revolucionário. Entretanto, a pobre moça acaba por cair nos ditames fraudulentos do já falido mito sedicional.

Sua liberdade não estava ligada a um regime, mas a liberdade pra cantar a canção deseja. Seu aspecto meio é o principal atrativo da trama. A insistência pela vida mostra-se, nesta obra, uma perfeita sincronia. É, enfim, uma dança onde nem sempre o vencedor é o mais forte.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A DIPLOMACIA DE RUBENS

Conta a História que, em boa parte da sua vida, o pintor alemão Peter. P. Rubens dedicou-se ao exercício da diplomacia, sem, no entanto, ter deixado de lado o seu dom natural: a pintura. Desde pequeno, nunca foi chegado a guerras, nem quando me apaixonei pela áurea que cobre o ambiente europeu. Sempre fui, por assim dizer, um homem da paz, talvez seja por isso que, ao ser desrespeitado por alguns colegas do colégio, sempre revidei com o desprezo ou com uma baixa auto-estima.

Estou a mais ou menos quatro anos na Unifor, e desde o primeiro semestre que entrei ali, fui um crítico ferrenho daquela instituição. Critiquei basicamente o que o estúpido movimento estudantil criticava, ou critica; eu era simplesmente, assim como vários de imbecis que estão na Unifor, um vagabundo que criticava sem nenhuma razão. Coisas erradas existem aos montes, mas posso também dizer que coisas erradas existem em todo lugar. Só um lugar é perfeito: lo cielo.

Pois bem, se não estou aqui pra falar das minhas desavenças com a Unifor, até porque, salvo alguns funcionários da biblioteca, e alguns professores (por sinal muito poucos), acho (ou tenho certeza) que não sou conhecido por nenhum daqueles que fazem a administração-maior da Unifor, por isso é bom que eu diga logo o porquê desta minha humildade para com ela, pois, se este texto cair em mão erradas, elas dirão que eu não passo de um “babão”. O conflito é natural em qualquer lugar do mundo, mas, caso haja um errante nesta estória de amor com a Unifor, este errante sou eu. Por quê? Porque acabo de sair (completamente perplexo) da exposição das obras de Peter Paul Rubens, que se encontra no espaço cultural da Unifor – um elegante espaço onde se expõem grandes artistas mundiais.

Rubens é excepcional. E, se antes minhas paixões eram Van Gogh e Munch, posso dizer sem medo que o barroquismo de Rubens me conquistou. Fiquei desvairado quando vi aquelas cenas bíblicas quase que vivas. É como se a imagem tivesse em movimento. É como se um o espetáculo entre as quatro partes da moldura acontecesse. Podemos ouvir as escrituras bíblicas com os olhos. É lindo. É sentimental. Nunca me emocionei tanto como hoje. Sem dúvida, a Universidade de Fortaleza merece minhas congratulações. No entanto, Rubens também tem todos os créditos, porque a sua diplomacia me aproximou mais da Unifor, fez-me vê-la com outros olhos, isto é, Gli occhi di arte.



Obra: Peter Paul Rubens - "O Caminho do Calvário", óleo sobre madeira medindo 74 x 55 cm. Esbôço para o retábulo, foi encomendado em 1634 e concluído em 1637. Encontra-se no Museu Real de Belas-Artes, Bruxelas. (Fonte:arelíquia.com.br)

quinta-feira, 27 de março de 2008



(vicent van gogh)

AVISO

Prometo pra mim mesmo que, ainda este ano, eu deixarei este lugar. Cansei de ser martirizado. Diante dos milhões de estrelas que agora cobrem minha cabeça confesso: sou infeliz! Infeliz porque odeio a atitude dos habitantes deste lar.

Deus, me perdoe, mas não sei se vou agüentar dividir o mesmo céu com estes seres draconianos. Sou infeliz, repito. Vivo numa ditadura, porém não encontro forças pra lutar contra este regime. Novamente penso em fugir, e, desta vez, para um lugar mais longe, ou desconhecido. Talvez neste lugar eu seja feliz.

terça-feira, 25 de março de 2008

PELA ORDEM, EXCELÊNCIA!

A segunda-feira é conhecida como o dia da semana dedicado a preguiça, e comigo não é diferente. Depois de passar o domingo lendo uma série de artigos da coluna do Diogo Mainardi, publicadas no ano de 2002, tive a sensação de que o blog é o melhor local pra desabafar. Passei o feriado na casa de uma tia (pra varia). Todos os dias eu estava cercado por de gente de todas as idades - de dois anos a cinqüenta e poucos anos, porém nenhum despertava em mim o desejo de conversar. Passei cinco dias calado. Falei o essencial. Menti, principalmente quando perguntavam se estava tudo bem. Ainda não perdi o gosto pela minha família, até porque eles estão me ajudando, mas não encontro, entre eles, alguém que eu possa depositar minha confiança. Aliás, neste mundo, apenas duas pessoas são dignas de minha confiança, não revelo porque sei que elas sabem disso.

Tentei começar a ler “O elogio da loucura” – de Roterdã -, mas, no fundo, conclui que, atribuir todas as atitudes humanas à loucura é uma abrupta estupidez. Mas, por sorte, quando tentei reservar “o jardim das aflições”, este já estava disponível para locação – foi a única coisa boa que aconteceu no meu dia. Passei a manhã na universidade tentando fazer um trabalho de direito do consumidor, contudo a desonestidade do professor fez com que eu apenas rabiscasse algumas palavras. Durante esta decadente-saga-universitária, tentei escrever uma crônica sobre o meu avô, mas este me azucrina tanto que não despertou em mim nenhuma feição romântica. No fim das contas, prestes a encerras os trabalhos, resolvi entregar os rabiscos do trabalho do mesmo jeito, isto é, sem “passar a limpo”. Que se lasque o direito do consumidor. Meu ouvido está cheio de água, deve ser por causa da piscina. É uma sensação horrível. Embora eu tenha fumado uns tantos, fumar um Camel com os ouvidos entupidos não é muito bom. Mas o prazer de sentir aquele gosto de mato na boca é irresistível. Tomei trezentos mililitros de café. Comi dois calzones. Escutei pela quadragésima vez o Cd “4” – Los Hermanos. Mandei “emeius” para alguns amigos. Li um e-mail de uma garota de São Paulo – uma menina que sempre lia o meu antigo blog. Li novamente a coluna do Mainardi, e separei uns textos dele para um amigo. Por fim, nos instantes finais da sessão, resolvi dar uma passada na aula de direito previdenciário para participar dos momentos do ‘pela ordem’.

terça-feira, 18 de março de 2008

Pretexto desnecessário




A questão é a mesma, e os defeitos, no entanto, são necessários. O submundo cultural investe pesado na obra de seus soldados. A música, na madrugada, tira o oceano de amargura, afasta os maus espíritos, e o strip-tease intelectual de ontem à noite fez me enxergar quão grande são os pés dos que chamam para si a superioridade em desprezo.

Os discípulos, no jardim angustiante, tentam interpretar o amargo simbolismo, mas em vão tentam, porque a história foi traçada antes mesmo deles existirem. Mas o mestre, que sabe o outrora e o porvir, lamenta sua já anunciada sentença e chorando lágrimas de sangue.

Antes, via eu o desprezo nas vãs filosofias, contudo, hoje, entendo que o desprezo insere-se em cada versículo da carta sagrada. Deste modo, o exemplo dos santos vira o alvo da vida, e pretexto torna-se desnecessário.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Amor pra recomeçar

I


Ela não tinha novidades. Até aquele momento não havia ainda contemplado os olhos da felicidade. A vida, para ela, deixara de ser uma fantasia, era, agora, uma cruel sincronia de problemas e decepções. Já não fazia diferença entre está em casa ou está na rua. O “tanto faz”, segundo ela, era a resposta mais verdadeira e mais compreensível.


Clarissa, apesar de ter uma opinião mais dura a respeito da vida, não tinha grandes frustrações. Exercia a profissão que sempre sonhou. Tinha uma boa casa. Estava quase conseguindo terminar a faculdade de fotografia - um dos seus grandes sonhos. Há três anos, exerce a psicologia. É uma psicóloga exemplar. Durante este tempo, viu muitos casos interessantes, fez belas amizades e, como era de se esperar, ajudou muita gente a resolver seus problemas. Porém, de uns dias pra cá, não sabe se a psicologia é realmente a sua função, pois que, agora, vê em tal ciência uma abstração sem fim. Ela não entende o motivo dos seus métodos terapêuticos, apesar de muito bons, não serem simplesmente contestados, já que em muitos não surgem efeitos. No entanto, a subjetividade da psicologia aniquila toda a possibilidade de se resolver este dilema. Para a psicologia, dizia ela, tudo é válido. Era como se o velho ditado: “cada caso é um caso”, fosse à justificativa mais conveniente. No mês passado, completou bodas de açúcar, isto é, seis anos de casamento. Ainda lembra do dia da festa, da noite de núpcias e o dia da primeira briga. Logo, conclui: não foram bem seis anos. Mas, por incrível que pareça, fica triste por saber que nem ao menos hesitara no momento do “sim”. Geraldo, seu marido, nunca achou que sua mulher fosse infeliz. Ele sempre acreditou na sua felicidade. Ele nunca percebeu o semblante melancólico da sua esposa. Mas, quando a observava de longe, percebia claramente a existência de um vazio dentro dela, e recorda que, no dia do casamento, ele a encontrara chorando muito, mas logo conclui que as lágrimas eram de felicidade, e resolveu não mais conceder espaço para tal assunto. Naquele dia, Clarissa entendeu o sua choro como uma leve expressão de felicidade, todavia, com o passar do tempo, negava o seu antigo raciocínio e dava espaço para uma interpretação mais sincera, ou seja, a de que ela era realmente infeliz.


II


Ele também não tinha novidades. Sua vida pouco a pouco tornava-se uma mesmice insuportável. Era como se suas escolhas não tivessem mais sentido algum. Sua condição fazia com que ele pensasse num porvir mais agradável, mas ele sabia que não havia nele aquilo que Nietzsche chamou de vontade de potência. Assim, a vida e as relações que adivinham dela pairavam num abismo mortal chamado niilismo. Este estado neutro, que Nietzsche afirmava ser o ponto entre a ascensão e o declínio, é, não obstante, agora a sua principal característica.


Dois institutos tidos como básicos, para Fabiano, estavam em declínio: sua profissão e o seu desejo pela vida. Era como se ele se deixasse esmorecer por qualquer injustiça, seja ela a mais simples. Preenchia todos os requisitos de um niilista: não possuía mais nenhum objetivo, a não ser, é claro, conseguir dormir; também não fazia questão de ter companhias, ainda que, em suma, a companhia dos amigos lhe agradasse. Ele não possuía mais aquele vigor de ver a vida com um pouco de esperança, só uma vontade não de viver.


Desde que saiu da faculdade de Direito, tem pensado em abandonar aquilo que o destino lhe reservara, mas como não soube com precisão identificar o que exatamente o destino havia lhe reservado, ficou então a mercê das previsões do mercado de trabalho e acabou se transformando num advogado incrivelmente burocrata e parcialmente feliz, deixando assim que os desejos consumissem sua alma, semelhantemente ao fogo que consome a palha seca.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A ética do clichê social


Dentro das idéias social e politicamente corretas existe uma sincronia de clichês. No entanto, basta apontar alguns questionamentos a uma só dessas idéias, para que, num passo imaginável, as outras caiam por terra. Existe na mentalidade dos chamados defensores da causa humanitária uma bandeira falsa, que, na visão deles, é mais importante que a bandeira de Cristo. A concepção daquilo que leva o indivíduo à prática criminosa é, por estes indivíduos, incrivelmente modificada. A idéia marxista diz que o homem é um mero espelho do seu meio. Se aceitarmos esta “teoria”, estaremos admitindo que, caso um indivíduo nasça e, porventura, cresça num estabelecimento propício à criação de cães, sua aptidão para latir será incontestavelmente perfeita.

Nestes movimentos, a bandeira que se encontra no mastro mais alto é esta, daí percebe-se a clareza e honestidade de tais idéias. Deste modo, nem a mais tradicional teoria psicológica sobre a formação é por eles respeitada, isto é, a de que o homem não forma-se apenas pelas influências do meio, mas por uma fusão do meio (sociedade), psic, bio e espiritualidade. Ocorre que, em nome do mito da revolução, eles mentem até para si mesmo, passando seriamente a acreditar nas mentiras que eles mesmos criaram, esquecendo, de certa forma, os outros institutos que proporcionam a formação da conduta do homem. Não se quer aqui, porém, aniquilar por completo a influência social, mas desmentir a idéia falsa de que o homem é tão somente fruto do seu meio.

Portanto, o que se percebe, não obstante, é um baile maquiavelicamente arquitetado pelo mito da revolução, com um único objetivo de trazer a confusão e a certeza de que a incerteza é a grande resposta pra tudo. Sobre isto, podemos expor autêntico pensamento do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho: tais seres têm como fonte vital o prazer de confundir o pensamento do outros. São também conhecidos como filósofos-sanguessugas. Por ironia do destino, a universidade é um criatório de sanguessugas.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Juno, 2007.


Juno é bom. Nem ruim nem ótimo; é simplesmente bom. Não tem um roteiro amargo como o de “A pequena miss sanshine”. Também não usa clichês. Tem sensibilidade. É trágico e esperançoso. É lindo. Invejável. Assisti no dragão – no lugar da aula de consumidor. Na sala de cinema: eu, uma coca-cola, uma pipoca de R$ 4,00 e um velhinho com sua senhora, que, por sinal, sempre são vistos nas salas de cinema.

Vai um tic-tac laranja?

quinta-feira, 6 de março de 2008

Fábrica de Moços corretos: Análise do comportamento na sala de aula. Parte I


Os tolos, que adoram fazer perguntas óbvias, sobretudo nos três últimos minutos de aula, são seres agradáveis. Eles têm um ar desesperador - um ar de quem tem a obrigação de dizer algo para o professor, ainda, é claro, que seja uma tolice. Podemos comparar a conduta desses seres (se é que se pode chamá-los assim) a um cão que deseja desesperadamente a atenção do seu dono. Pobre cão, mal sabe que foi comparado a um fanfarrão. Perdoe-me, pobre cachorrinho.

Não podemos, contudo, ignorá-los a ponto de não tirar deles a única coisa boa. Mas o que teria de bom num ser dotado de tal qualidade? A resposta é: a aptidão para fazer com que muitos não desejem ser iguais a eles. É impressionante mesmo. Muitos por aí, como por exemplo, professores, políticos, sacerdotes, artistas, vivem numa atitude meia sua e meia dos outros. É como se suas atitudes fossem condicionadas ao ‘gostar ou não’ do seu público. Eles agem segundo o pedido do público, caindo assim num narcisismo perigoso e doentio. Entretanto, tal conduta tem um fim. Veremos logo mais adiante.

Se compararmos tais seres a um professor comum, estes, porém, infinitamente vezes mais dignos, conseguiremos sem dúvida distinguir a farsa que há no comportamento do que se nomeiam bons professores. Estes mendigos de centro acadêmico chegam ao ambiente universitário como se não quisessem nada. Antes, contudo, vestem uma capa de engraçadinho, e saem na calada-da-noite para arquitetarem suas próximas conquistas. Normalmente costumam pregar idéias progressistas. Pra variar, são anti-americano e defensores do meio ambiente. Porém, suas carapaças começam a cair, quando num ato de pura safadeza, não emitem opiniões sobre o comportamento dos colegas professores, pois assim evitam inimigos. Suas aulas mais parecem comícios. Suas falas, especialmente nas palestras, mais parecem orações. Seu posicionamento político, enfim, tem como bode expiatório a globalização, o capitalismo e a sociedade. Não estamos diante de um mostro ou de um maldito, pois apenas uma coisa ele deseja: montar o sua cursinho preparatório para a OAB, e chegar ao patamar social de um professor que trilhou o mesmo caminho. É, sem dúvida, uma fábrica de moços corretos. Deu pra saber qual o fim?

terça-feira, 4 de março de 2008

Um agradecimento ao Senhor Jesus e aos seus servos, sobretudo àqueles que combatem o bom combate.

Se existe alguém que pode desintoxicar o seu corpo de todo tipo de mazela esquerdistas, esse alguém chama-se Olavo de Carvalho. Lembro-me com arrepios dos meus tempos de terceiro ano, ou pré-vestibular. Um ano difícil não por causa do vestibular, mas sim por causa do descaramento dos professores, principalmente os de história, que com a cara-de-pau fazem campanhas para os regimes comunistas, principalmente o de Cuba.
É tenebroso. Estes indivíduos são mesmo covardes. Numa tentativa de reformular as fracassadas idéias soviéticas e de Mão-Tse-Tung, tais seres propagam as facetas de Guevara e companhia como as mais belas de todos os tempos, como se elas fossem idéias verdadeiras. elogiam a administração de Fidel. Desprezam as vidas consumidas por tais regimes. Pelo discurso destes assassinos, podemos até dizer que eles preferem muito mais a matança gerada por Stalin do que o sacrifício feito pelo Deus-filho na cruz do calvário. E nós, estudantes pré-vestibulandos, que, na ocasião, não temos tempo nem pra pentear os cabelos, acabamos por aceitar estas doutrinas satânicas.

Nestas horas surge um ser com uma lanterna na mão. Um ser enviado por Deus para justamente afastar os seus filhos desta doutrina de demônios. Olavo de carvalho com toda a sua coragem e honestidade abre os olhos daqueles que, outrora, estavam cegos. Sem temer as investidas de Lúcifer, o filósofo enfrenta cara a cara a maldição que há nestes homens do mal, fazendo com nasça dentro de cada um de seus leitores uma vontade de voltar à sala de aula do pré-vestibular para dizer as palavrinhas mágicas que todo comunista merece ouvir: VAI TOMAR NO CU, SEU COMUNISTA VAGABUNDO!!!

Como agradeço ao Senhor Jesus por ter me livrado desta doutrina. Se tem uma coisa que eu agradeço a Deus em minha orações, é o fato de ele ter me libertado deste caminho falso que, sem sombra de dúvidas, só leva à morte. Assim, só tenho a agradecer por esta libertação e torcer para que, em breve, este seres possam estar no inferno juntamente com Lula, Hugo Chávez, Fidel Castro, Rafael Correia, Raúl Reyes, Mao, Raul Castro, Stalin, Lênnin, Trotski, Heloísa Helena, João Alfredo, Zé Dirceu, José Genuíno etc.

segunda-feira, 3 de março de 2008

privatização do congresso nacional: uma nova versão de imagine.




Acordei imaginando como funcionária o congresso, caso este fosse privatizado. E, pra ser sincero, acho que funcionaria muito bem. Imagine se existissem empresas que disponibilizassem deputado e senadores ao mercado público-político. Agora imagine também se estas empresas passassem por um processo de licitação sério e rigoroso, onde o melhor preço e o melhor resultado prevaleceriam. Agora imagine também que você não perderia mais os seus domingos por causa do circo eleitoral 'brumarial'.

O processo seria simples: o executivo abria uma licitação, as empresas entravam com os deputados e senadores e estes teriam que trabalhar de verdade, já que, caso não trabalhassem, seus patrões os colocariam para fora. Não seria uma boa?Calma, não se preocupe, pois não haveria só deputado governista, existiria uma empresa responsável pela fabricação dos congressistas de oposição. Seria uma maravilha, não seria? Tudo transcorreria normalmente. Os jornais teriam mais espaço para as elições americanas, e não precisaríamos perder o nosso tempo assistindo as TVs legislativas, passando assim a possuir mais tempo para filmes, novelas, programas de auditório, desenhos animados, bbb's etc. Imagine também uma CPI onde todos sairiam ganhando. Os deputados fariam questão de investigar. Os relatores e presidentes também fariam questão de investigar, contudo, como de praxis, tudo terminaria em pizza. Nada mudaria... apenas nós teríamos mais tempo sem política.

Mas não se pode deixar de pôr um requisito na licitação: nenhuma empresa deveria fornecer deputado comunista, pois tais insalubres seres tentariam de uma forma ou de outra aprovar leis que impliquem diretamente no fracasso dos bons costumes, como por exemplo, a lei da mordaça gay, a lei Maria da penha (funcionária da unifor), lei obrigando homens a usarem saias (saju) etc etc.

Você pode até me chamar de sonhador, porém eu não sou o único.

sábado, 1 de março de 2008

Homem e mulher conversando: duas fases, duas histórias num só ano.

Ele disse: Queria muito falar contigo mais vezes, mas você vive correndo...

Ela disse: Está namorando? Conheceu alguém?

Ele disse: “Não!”

Ela disse:
Já me preocupei de mais com coisas inúteis... Acho que estou no tempo das gargalhadas.

Ele disse: Porque num sei se o que sinto é felicidade, sei lá. Acho que nunca fui feliz de verdade, e como agora acho que sou, fico meio suspeito com tal sentimento. Antes, porém, eu pensava que ser feliz significava ter alguém, mas descobri que nem sempre um namoro é sinônimo de felicidade. Eu vivia achando que minha felicidade tava ligada a uma pessoa, mas agora acho que não. Serei feliz com ou sem, entende? Sei lá, acho que,hoje, tenho mais fé.

Ela disse: Não estou em casa, não posso ficar ocupando o computador alheio!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

a receita correta pra afasta-se do tédio e da indedicação.



Pra ficar numa benevolência menos prejudicial, e pra não desgastar o relacionamento de pouco mais de dois anos, surge um certo zero descarado, que somado a um desejado dez, torna-se uma infalível arma transgêngina. Para as suas influências e dedicações, a arma, que outrora brindava o último pão do primeiro café-da-manhã, convida-o a uma fantasiosa impressão (ou seria representação?) carnavalesca, mesmo sabendo das últimas análises do mercado de ações.

Por fim, desejo-lhe sorte, que também significa fortuna.

planos e variações ao longo do dia: um exercício de impaciência.

Se um dia eu esquecer de tudo que fiz, tenha certeza de que o mundo que você me apresentou nunca será esquecido. Sobre os meus erros, muito tenho a dizer; agora, quanto aos seus erros, não posso eu opinar, já que você é perfeita, prudente e incrivelmente sensível aos deslizes cotidianos.Apesar de saber que você não me ama como eu gostaria que amasse, sou convicto de que, caso tivesse uma oportunidade de estar novamente ao seu lado, provaria que eu sou o lugar de onde você nunca deveria ter saído. Mas, como a vida não é do jeito que a gente quer, compreendo perfeitamente a sua vontade de não mais continuar ao meu lado, embora isso seja muito difícil. Digo sem nenhum medo: é difícil, após o término do relacionamento, continuar amigo da mulher que amamos, apesar de tal atitude ser a correta, contudo, se minha amizade ainda a deixa feliz, darei o máximo de mim, e continuarei sendo o seu amigo, pois o que mais quero é vê-la feliz. Há um bom tempo, não venho mais compreendendo os fatos e as conjunturas. Não encontro, por mais que tente, lógica nas palavras e sentido nas reações. Pra falar a verdade, eu até gosto desta situação. Do que adianta compreender o mundo e não poder beijá-la? Porém, bem lá no fundo, as coisas que eu desejo derivam de você - dos seus gostos e das suas opiniões. Anseio muito contemplar novamente a sua face, porém, se pelas circunstâncias, tal desejo tenha tornado-se praticamente impossível, aceitarei a sua partida, e desejarei uma boa (a)ventura. Se a sua felicidade tem um preço, eu a compro, ainda que o preço seja a minha infelicidade. Mas fique esperta, porque esta promoção não vai durar muito tempo.