terça-feira, 28 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Quando "Brand new star" tocou
pálido, fudido
barrado na portaria
por um sujeito que não lembro o semblante.
Trechos de uma estrada longa
mas que faço questão de enfrentar
junto com o meu futuro Santana 84.
Hoje é domingo
e isso é como uma punhalada no coração
porque na segunda tenho que vestir o terno e aparentar elegância.
Mas ainda bem que eu só preciso aparentar.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Quando
amei as desprezadas
Quando perdoei
usei o silêncio
Quando sofri
tive vontade de dormir.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Emprego brasileiro
naquele inútil setor
mas dizem que os três não valem
um fio de cabelo do senador
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Descontração
din-din e pão com suco
após um jogo suado
que terminou em
muito barulho e esculhambação.
domingo, 19 de julho de 2009
Em silêncio
Brutal sentimento de impotência.
Deitado na cama,
há vinte e quatro horas,
junto de Gulliver e Mensault,
Sem álcool,
que não fizera efeito algum,
espera o sono chegar.
sábado, 18 de julho de 2009
A melhor parte
nadei num mar paterno
Em Fortaleza
durante o futebol
pulei o muro do vizinho
porque queria a minha bola de volta
E quando voltava pra casa
num ônibus lotado e barulhento
Vi Aldir andando pela Santos Dumont
com um disco de Madeleine Peyroux na mão esquerda
No fim do dia
cheguei a seguinte conclusão:
Alguns homens são felizes...
mas uns são mais felizes que os outros.
Estórias não muito Fabulosas
Duas ilhas faziam parte do complexo de ilhas da Retrânia: a ilha dos pescadores e a ilha dos idiotas. Bem perto da ilha dos pescadores ficava a ilha dos idiotas. Pra ser habitante da ilha dos pescadores era preciso ser pescador. Pra ser habitante da ilha dos idiotas era simples: bastava ser idiota.
Naquele lugar esquecido e cheio de grandes histórias, ser pescador era fácil, bastava gostar de ficar reclamando que o mar nunca estava pra peixe e imaginando alguma coisa séria pra fazer. Ser idiota, no entanto, era também não tão difícil, bastava não gostar de pescar e nem de pensar em coisas séria pra fazer.
Na ilha dos pescadores havia pescadores de todos os tipos: os que sabiam pescar frases bonitas, os que sabiam pescar dinheiro com suas frases bonitas e os que adoravam pescar mulheres com o fruto das suas frases bonitas. Na ilha dos idiotas, diferentemente da ilha dos pescadores, ninguém tinha grandes habilidaes, e a existência não era condicionada a nenhum outro ofício, a não ser, é claro, ao sagrado ofício da idiotisse.
Um dia, mais ou menos por volta da quatro das tarde, uma tribo do complexo de ilhas da Leigânia, que era rival da ilha dos pescadores, conhecida pela crueldade e sapiência, invadiu a ilha dos pescadores e disseminou toda aquela população.
A notícia de invasão chegou rápido a ilha dos idiotas, contudo não teve nenhuma repercusão, pois era diante de situações como essa que os habitantes da ilha se mantinha firmes nos ideais que não possuiam, e voltavam seus olhares para o supremo mandamento, que estava escrito no tronco de uma árvores, num determinado ponto da ilha, e onde se podia ler o seguinte: BEM AVENTURADOS OS IDIOTAS, PORQUE NINGUÉM SE INTERESSA POR ELES!
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Pensamento Longe
E tuas mãos dizendo adeus.
Eu iria, mesmo com a certeza de não te encontrar,
E voltaria sem te ter visto,
Passeando com a tua lembrança.
Eu caminharia horas e horas pensando em ti,
Sem chegar nunca ao termo do caminho
Onde estivesse escrito: “Aqui se acaba o amor”.
Dante Milano
Fonte: Afetivagem
terça-feira, 7 de julho de 2009
"O melhor do amor é a sua memória, disse meu pai (...) só eu não disse nada; nem antes, nem depois"
enquanto o silêncio permanece à flor da pele.
Se não temos forças pra passar por aquele mar que não se abriu,
então é bom encontrar conforto num travesseiro
e meditar sobre as grandes conquistas dos fracassados.
Há uma banda tocando para um público que não gosta de música.
Há um profeta pregando para gafanhotos e libélulas.
Há uma guerra
cujos soldados têm corações de plástico.
Se não temos mais forças,
se detestamos esta guerra,
então é bom deixar que o mar nos leve pra bem longe das trincheiras.
Se a água é amarga
e o céu cobriu-se de nuvens,
é bom que a gente pare de olhar para o céu.
Somos apenas mais um, e isso é o que nos conforta.
Vida longa as idiotices dos anarquistas.
Que este vento de desilusões cubra pra sempre
a história dos que bebem vinho na taça do decadentismo.
Vida longa a criança abandonada na esquina de uma velha rua pacata.
Vida longa aos primeiros minutos de uma ressaca.
Vida longa reggae meloso que toca na radiola do meu avô.
domingo, 5 de julho de 2009
Maria Helana costuma dizer: "Um amor não concretizado é mais romântico"
Pra amar alguém não é necessário nenhuma produção. Aceitar o amor e suas dificuldades não é muito fácil, porém é necessário. Conhecer uma pessoa e já se apaixonar é uma das coisas mais incríveis que a vida pode nos conceder. Não é muito bom chorar ao sob as lembranças de antes, e é muito melhor encontrar o riso
Não há mais motivo para um arrependimento hostil, só uma vontade de sentir o alívio trazido pela chuva. Uma vontade de alcançar o tudo aquilo que já foi perdido. Nosso universo curto nos obriga a uma vida obstinada e sem movimento. Descobri, vendo trechos de um filme de Truffaut e lendo alguns conceitos de Coutinho, que o amor é um problema político.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Cumpro a sina
e no verão te esqueci
E assim descobrimos
que não sabemos mais como amar
[A fidelidade prometida no altar
não passa de uma cantada]
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Do beco ao mar

segunda-feira, 29 de junho de 2009
No banheiro com Truffaut
Enquanto estou no banheiro, ainda meio sonolento e entediado, externando todos os dejetos desta segunda-feira apática e vazia, tento responder a indagação feita por François Truffaut: será que um crítico é capaz de fazer um filme?...E, após puxar a descarga e refletir um pouco, cheguei a seguinte conclusão: depende do crítico!
sábado, 27 de junho de 2009
The Wolf
Jack Kerouac é rei!
sexta-feira, 19 de junho de 2009
A mulher livre e eu, de Ricardo Kelme

quinta-feira, 18 de junho de 2009
Dilma, a cara-de-pau.

domingo, 14 de junho de 2009
Maturidade
Melancolicamente levo a vida. Fortes dores de cabeça fazem os meus olhos lacrimejarem de tanta dor. Os primeiros minutos deste domingo foram os piores de toda a minha existência. Enquanto cruzo a Bezerra de Menezes a procura de uma banca de jornal e de uma aspirina, volto a perceber que viver é uma grande besteira sadia.quinta-feira, 11 de junho de 2009
Assim falou Paulo Ghiraldelli Jr.
Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo."O Filósofo da Cidade de São Paulo
terça-feira, 9 de junho de 2009
Donald, o fudido.

Estou até agora procurando uma nacionalidade pro pato mais chato do planeta. Ele parece ser italiano, adora barulho. Na hierarquia dos patos famosos, prefiro o Patolino (um argentino nato), que é menos perturbador, apesar de também ser outro agoniado.
Dizem as más línguas que Donald ainda não encontrou uma profissão. Dizem que o cara não se adequa a nenhuma forma de trabalho. Na verdade, se alguma dia esse pato idiota me pedir um conselho, recomendarei a ele a profissão de Kaká, pois cada chute numa bola se torna milhões de euros. No entanto, se após o meu ótimo conselho, ele decidir ser funcionário público municipal de Fortaleza, ficará boa parte da vida acampado na Praça do Ferreira.
Mas Donald bem que poderia criar uma rede de fast-food e chama-la de McDonald's.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Copa do Brasil-Airton-Alba.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Três-Cinco-Dois (todos atacam-todos defendem)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O vendedor de lembranças
quinta-feira, 28 de maio de 2009
É fechada a porta
terça-feira, 26 de maio de 2009
Felicidade variável
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Outra medida, ou outro modo.

Vibration
segunda-feira, 11 de maio de 2009
PARA ONDE VAI
Homens de gravata falam e falam.
Meninas e mulheres dançam.
Os pássaros se escondem.
Meninos jogam bola.
Árvores balançam.
Folhas caem.
Ébrios riem.
Há lua
A lua
Dia
Tv
Para onde vai o trem?
sábado, 9 de maio de 2009
Um certo amigo...

Passaram-se mais ou menos dez anos. Velho demais está. Sua cabeça nada sente mais. Nem o coração se enche de alegria. A vida passou muito rápido, e a bota não saiu do pé. Num velho voyagem roubado, numa madrugada chuvosa, cruzou ele a fronteira. Nunca mais o viram. Aurora, cheiro de chuva, estrada...
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Para Dio.
a chuva forte trouxe consigo bons ventos.
pequenos olhares e horas de conversas mantinham.
a sorte, ainda que tarde, aos poucos, foi chegando.
blusão
frio
café
cigarro
folk music
"minha hora chegou?", perguntou ele.
mas ela, ainda contrariada, ficou em silêncio,
e apenas olhou para a Santos Dumont.
JUNTOS PELA VIDA
domingo, 3 de maio de 2009
00:14
domingo
cheio de nada
vazio de vida
nada de bom
é domingo
é o doido
dos doidos e desgostosos domingos
ah!.. doce e doido domingo
sábado, 2 de maio de 2009
Poema para Dal.
sobraram apenas folhas secas.
Na mesma praça,
Um ano depois,
Chora o tempo que passou.
Virtudes
Exageros
Cóleras
onde ele errou?
Ainda meio atordoado,
Repara na lentidão das nuvens.
Ainda meio esquecido...
conversa com as margaridas,
que, sem dúvida alguma,
eram as únicas testemunhas
daquele carnavalesco amor.
TAREFA COTIDIANA
conversavam sobre as coisas que já tinham esquecido.
Hendrix fazia o som.
Janis lamentava o dia que passou.
Amaram-se por alguns minutos.
Beberam a última garrafa de vodka.
E no fim...
Tv ainda ligada.
Cigarro apagado.
Nuvens pessadas na aurora.
Assim que a chuva passou,
Voltaram ao trabalho...
PRIVAÇÃO PROVISÓRIA
quinta-feira, 30 de abril de 2009
NAVEGANDO PELO DECADENTISMO
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Lições no Verbo Imperativo
terça-feira, 21 de abril de 2009
CIDADÃO PACATO DIRETAMENTE DE ORAN
quinta-feira, 16 de abril de 2009
GRANDES MONSTROS
Kent WilliamsGrandes montros
nunca são educados.
ao contrário,
acusam sem medo.
Pequenos homens
deliram sempre.
entre uma hora e outra
pedem perdão e se acabam.
quando tudo isso acabar
ou quando tudo isso acaba?
nós temos a resposta.
De um lado: carros. casamento. plano de saúde.
concurso. saldo positivo. vitória. sorriso na foto.
Do outro: pés. encontros. cigarros.
aposentadoria. fiado. vento no rosto.
Mar. gargalhadas. indiferença. prazer.
chuva. bicicleta. palavras. música.
"estamos perdidos neste mundo"
alguém duvida?
segunda-feira, 13 de abril de 2009
quando a questão é o anonimato
Deixou as estrelas em paz
Percorreu um longo caminho
Chegou onde ninguém tinha vontade de ir
Sentiu frio, fome e sede, enquanto se desviava dos perigos da estrada
Conheceu lugares que mais lembravam feridas
Enfrentou Ulisses, Hércules e Édipo
Beijou Helena, Antígona e Raquel
Sentiu-se sozinho. jogou. fez frases
Andou sozinho pela cidade
Nunca mais o encontraram
domingo, 5 de abril de 2009
Segunda.Trabalho.Sol.Saudade da sexta.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Lembranças de um tempo não tão distante

terça-feira, 31 de março de 2009
Segunda-Feira, às sete da manhã, a alegria vai embora.
segunda-feira, 30 de março de 2009
EM RESPOSTA AO CAPELÃO
"Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava"
(Albert Camus. O estrangeiro, p. 30)
domingo, 29 de março de 2009
Domingo e Sábado com Galvão: Bêbado na padaria!
Um sanduíche de peru tirava meu apetite. A costumeira dor de cabeça também estava lá. Cinco da manhã é um bom horário para puxar uma conversa. A chuva, que ficou com gente durante toda a noite, fechou os olhos e dormiu.
Régis e a sua motocicleta dormiram abraçados. Dalviane foi embora de barco.
Que o maranhão lave a louça...
quarta-feira, 25 de março de 2009

(Chris, 1992)
"Amanhã... todo mundo terá esquecido todo mundo"
O estrangeiro, Albert Camus.
sábado, 21 de março de 2009
SOBRE A ARTE DE ESCOLHER O QUE SE DESEJA.
(foto: Daine Arbu)
Numa terra distante, aproximadamente oito mil km além do planeta terra, vive um homem chamado nada. Assim como Deus, o Sol e a Verdade, ele é só. Não sente falta de algum ser que o deixe preenchido ou que o distraia. Sua solidão o o conforta. A solid o é a sua companhia.. Sua montanha é a sua cidade. Lá de cima ele v o mal e bem...
domingo, 8 de março de 2009
ESTAVA ESCRITO
Fortaleza, 12 de janeiro de 2009.
sábado, 7 de março de 2009
ABSURDO LÍRICO
Ligo o rádio
E esqueço último beijo que você me deu
Durmo
Desligo o rádio
E penso no último abraço que você me deu
Às seis
Esqueço do beijo
E acordo assustado
Penso
Desligo o abraço
Durmo
Esqueço o horário
Acordo o beijo
Ligo o amanhã
Abraço
Durmo
Desligo-me
Às seis
Ligo o rádio
Beijo o amanhã
E esqueço que o ontem findou em passar
À noite
Num quarto
Penso que durmo
Mas, na verdade, continuo a pensar em ti.
NÃO PROMETO
calarei vazio
e viverei somente
e o rosto contente
não mais riu...
chorou sem parar
domingo, 1 de março de 2009
EVAPORAR
(F. Nietzsche. Humano, Demasiado Humano, Cap. VIII, § 638)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
ANÁLISE ANALÍTICA
Conheceram-se pelos olhares. Marcaram de se encontrar no sábado. Ânsia. Medo. Tensão. Tudo se perdeu... Não era o que eles esperavam.
CARNAVAL
Depois de algum tempo, mais ou menos cinco anos, fui novamente ao carnaval. O destino, como não poderia deixar de ser, foi Flecheiras.
Ouvi muito Strokes. E Los Hermanos também. Revi amigos. Meninas fizeram o meu coração tremer. Bebi. Dancei. Viajei. E no final continuei com a mesma melancolia de sempre. Ao chegar a casa, revi o meu amigo Nietzsche.
MEU PODRE DENTE
Sofro com o meu dente. É que ele está podre, como diz alguns de meus colegas. Tenho preguiça de ir ao dentista, apesar de ter um plano dentário razoável. Meu dente faz me sentir humano. Ele me faz perceber que sou vulnerável também às dores físicas.
MEU PODRE DENTE, PARTE 2
Depois de algum tempo, mais ou menos cinco anos, fui ao carnaval. O destino, como não poderia deixar de ser, foi flecheiras. Conheci uma garota, que, curiosamente, me fez perceber que a vida paira sobre a ética dos encontros descartáveis. A dita tem namorado, ou tinha, não sei. Foi isso que me deixou meio frágil. Porém compreendi que sob efeito de uma “leve sensação...” as coisas ficam muito mais fáceis, e as atitudes são incrivelmente irracionais. Mais uma vez me senti arrependido pelo que fiz. Infringir as regras românticas não é bem o meu estilo, pois eu sempre me vejo na pele do traído.
Uma menina fez o meu coração tremer. No entanto, aquela que eu queria vez não estava lá. A menina que fez tremer meu coração traiu o seu namorado. Eu me senti mal. Ela também não ficou bem. Fomos para casa sem dirigir uma palavra ao outro, e para a infelicidade do meu dente, a leve sensação passou. Meu pobre dente podre voltará ao dentista e me fará sentir novamente humano.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
BETH, 2008.
Espero que você não pergunte sobre as minhas variações. Mas torço para que você esqueça do nosso passado. Descobri uma coisa: a musica de Dylan sempre usurpa a sensatez da minha alma. É como se eu perdesse o último resquício de moral.
Nós, os imoralistas, como diz o filósofo, gostamos da tragédia grega, e também não temos medo de vivê-la. Para os moralistas, a tragédia só pode ser vivida no além de nós. Mas nós a vivemos na própria vida. Não temos medo de sentar a mesa em que ela está sentada. Não temos mais medo do inútil. Somos seres mais pacientes. A solidão nunca nos atingirá.
FARRAS E SONO
Dois dias de folga são o conceito do meu fim de semana. Neste pouquíssimo tempo, apenas duas coisas me fazem companhia: as farras, que geralmente começam à noite, e o sono, que vem logo após as farras.
DOM MANUEL, 375.
Hoje deixei o resto do almoço na lixeira da rua, Na esperança de algum mendigo, ao vasculhar o lixo,o coma. A Avenida Dom Manuel, que, às vezes, parece mais um cemitério que propriamente uma avenida tem um semblante obscurecido. Para os socialistas, ela divide a cidade entre pobres e ricos. Para mim, entretanto, ela é uma prostituta que espera o seu imaginário estrangeiro. Estou aqui a mais ou menos um mês. Não sei ao certo quando cheguei. Moro só. Num cômodo 2 por dois.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
A LOUCURA ESTÁ EM "ELECTRICITYSCAPE".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
A FORTE CHUVA
Por consequencias da vida ou por ironia do destino, apesar de não ser o lugar que eu desajava, brotou do fundo do meu coração um amor muito grande por aquele cômodo dois por dois. Talvez fosse por causa da proximidade do cinema, do mar, dos bares e de todas as coisas que serviam de entorpecente. Talvez fosse por causa do sossego que havia ali, sobretudo quando eu estava deitado na minha cama assitindo tv.
Fiz planos; não muitos, todavia os fiz. Fiz planos, que, numa quinta-feira, foram levados por uma forte tempestade que me deixou meio triste. Mas, segundo Nietzsche, a tragédia faz-nos afirmar mais a vida. É isso! Preciso acreditar que a tragédia fortifica a vida. Preciso acreditar que a fraqueza está em negar a vida. Eu realmente preciso acreditar, pois as condições absurdas estão me fazendo demasiadamente indiferente.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
UM POUCO MAIS
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
um poema, mais um dia
Por acaso temos pressa?
Temos algo?
Estamos completamente sem nada...
Usurparam até as lembranças.
Sempre em frente, diz a luz, em “o preço, de Gessinger.
Mas como podemos ir em frente?
Por acaso há luz?
N. Reis, em sua, digamos, famosa ópera,
Prometeu não mais mentir, até que o caminho encontre.
E hoje, neste dia cansativo, onde os boatos de demissão rodaram os meus ouvidos,
Fico feliz em saber que o mundo ainda é bom, e que, como diz Camus:
“não imagino outra coisa que não seja a vida”.
Assim, termino de fumar mais um dos meus inúmeros cigarros
Olhando para a humanidade;
Olhando para a monstruosa rampa de lixo que há em frente a minha casa.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
os habitantes da cidade

(Praça do Ferreira, Fortaleza/Ce)
O relógio tocou às oito e vinte. A cidade acordou tarde! De longe, se via a melancolia daqueles que, aos poucos, saiam para mais um dia de trabalho. Era um dia estranho, talvez por causa do sol, que até aqui se mostrava mais insuportável.
As pequenas pessoas daquela inútil cidade saiam para trabalhar. Saiam por que precisavam. Saiam por que do trabalho sai o seu sustento. Se tivessem a sorte de terem nascido numa família rica, talvez deixassem o trabalho de lado. É uma verdade: ninguém gosta de trabalhar.
É preciso ter disponibilidade para fazer o que Thoureau e McCandless fizeram. Enquanto esta disponibilidade não chega, os habitantes da cidade sonham com dias melhores. Sonham com dias que calmos, serenos.; dias que realmente serão felizes...
Amigo blog,
Morrerei em paris...
Odeio ver pessoas sendo privada de sua liberdade. Odeio que se intrometam em minha vida (mas quem não odeia?). Odeio ver pessoas sendo humilhadas. Detesto a arrogância.
Gosto das noites em flecheiras. Gosto das canções de Bob Marley. Gosto das canções de Bob Dylan - Bob². Fumo. Fumo cigarro. Fumo cannabis, às vezes. Gosto de vinho. Gosto de vinho levemente suave. Gosto do mar. Gosto da Praça do Ferreira. Gosto de algo que ainda não vi. Vodka me deixa com fortes dores de cabeça.
Ultimamente, tenho recebido muitas reclamações por conta das minhas noitadas. Mas só escuto os reclames, não os contesto, pois sei que, no fundo, estes reclames são meros espelhos do passado dos atuais reclamantes.
Moro só. A solidão me deixa muito tempo calado. Meu ventilador, minha geladeira e minha televisão são meus únicos empregados. Fazem tudo na hora certa, porém o ventilador é meio anarquista, nunca ameniza o calor da maneira que eu quero.
Na parede da minha atual casa (ou melhor, quarto), há uma moldura com Dylan e Camus. Camus tinha a mesma melancolia que, nestes vinte e quatro anos de vida, eu tenho. Assim como eu, talvez ele se sentisse rejeitado pela mulher amada. Mas Camus tinha uma coisa que eu não tenho: as ruas de Paris. Eu, no entanto, tenho uma coisa que Camus não tinha: a noite de flecheiras.
A vida passa rápido (clichê?... talvez!).
Morar numa casa que não possui janelas é ruim. O calor é insuportável. Mas prefiro o calor, pois a usurpação da liberdade é muito pior.
Passou-se o ano de 2008 e quase não percebi.
Porres. Festas. Cinema. Cigarros. Livros. Vinhos. Liberdade. Meu pai. Banco. Daniel, Paulo e Diovanna. Pensão. Noitadas. Reclames...
Do ano de 2009 não espero muita coisa. Não fui acostumado a fazer previsões. Gosto de deixar o ano pensar e agir sozinho. Só uma coisa eu peço a Deus: que minha produção intelectual cresça, e que eu encontre pessoas que me ensinem o que eu ainda não sei. Tomara que o meu desejo se realize...













