terça-feira, 28 de julho de 2009

Fim da linha

"até aqui virás e não mais adiante" (Jó 38:11)

domingo, 26 de julho de 2009

Quando "Brand new star" tocou

Sentado na calçada
pálido, fudido
barrado na portaria
por um sujeito que não lembro o semblante.

Trechos de uma estrada longa
mas que faço questão de enfrentar
junto com o meu futuro Santana 84.

Hoje é domingo
e isso é como uma punhalada no coração
porque na segunda tenho que vestir o terno e aparentar elegância.
Mas ainda bem que eu só preciso aparentar.

Ainda embriagado
ouvi "Brand new star"
em grandes conversavas com a solidão
que resultaram em horas de sono no sofá.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quando

Quando amei
amei as desprezadas

Quando perdoei
usei o silêncio

Quando sofri
tive vontade de dormir.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O filme tinha momentos


Emprego brasileiro

Três ainda restam
naquele inútil setor
mas dizem que os três não valem
um fio de cabelo do senador

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Descontração

No balcão do Seu Zé Maria,
din-din e pão com suco
após um jogo suado
que terminou em
muito barulho e esculhambação.

domingo, 19 de julho de 2009

Em silêncio

Ovos cozidos e miojo.
Brutal sentimento de impotência.

Deitado na cama,
há vinte e quatro horas,
junto de Gulliver e Mensault,
solução tarda a chegar.

Sem álcool,
que não fizera efeito algum,
espera o sono chegar.

sábado, 18 de julho de 2009

A melhor parte

Em Flecheiras
nadei num mar paterno

Em Fortaleza
durante o futebol
pulei o muro do vizinho
porque queria a minha bola de volta

E quando voltava pra casa
num ônibus lotado e barulhento
Vi Aldir andando pela Santos Dumont
com um disco de Madeleine Peyroux na mão esquerda

No fim do dia
cheguei a seguinte conclusão:
Alguns homens são felizes...
mas uns são mais felizes que os outros.

Estórias não muito Fabulosas

Duas ilhas faziam parte do complexo de ilhas da Retrânia: a ilha dos pescadores e a ilha dos idiotas. Bem perto da ilha dos pescadores ficava a ilha dos idiotas. Pra ser habitante da ilha dos pescadores era preciso ser pescador. Pra ser habitante da ilha dos idiotas era simples: bastava ser idiota.

Naquele lugar esquecido e cheio de grandes histórias, ser pescador era fácil, bastava gostar de ficar reclamando que o mar nunca estava pra peixe e imaginando alguma coisa séria pra fazer. Ser idiota, no entanto, era também não tão difícil, bastava não gostar de pescar e nem de pensar em coisas séria pra fazer.

Na ilha dos pescadores havia pescadores de todos os tipos: os que sabiam pescar frases bonitas, os que sabiam pescar dinheiro com suas frases bonitas e os que adoravam pescar mulheres com o fruto das suas frases bonitas. Na ilha dos idiotas, diferentemente da ilha dos pescadores, ninguém tinha grandes habilidaes, e a existência não era condicionada a nenhum outro ofício, a não ser, é claro, ao sagrado ofício da idiotisse.

Um dia, mais ou menos por volta da quatro das tarde, uma tribo do complexo de ilhas da Leigânia, que era rival da ilha dos pescadores, conhecida pela crueldade e sapiência, invadiu a ilha dos pescadores e disseminou toda aquela população.

A notícia de invasão chegou rápido a ilha dos idiotas, contudo não teve nenhuma repercusão, pois era diante de situações como essa que os habitantes da ilha se mantinha firmes nos ideais que não possuiam, e voltavam seus olhares para o supremo mandamento, que estava escrito no tronco de uma árvores, num determinado ponto da ilha, e onde se podia ler o seguinte: BEM AVENTURADOS OS IDIOTAS, PORQUE NINGUÉM SE INTERESSA POR ELES!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pensamento Longe

A leveza de teu vestido
E tuas mãos dizendo adeus.

Eu iria, mesmo com a certeza de não te encontrar,
E voltaria sem te ter visto,
Passeando com a tua lembrança.

Eu caminharia horas e horas pensando em ti,
Sem chegar nunca ao termo do caminho
Onde estivesse escrito: “Aqui se acaba o amor”.

Dante Milano

Fonte: Afetivagem

terça-feira, 7 de julho de 2009

"O melhor do amor é a sua memória, disse meu pai (...) só eu não disse nada; nem antes, nem depois"

Frustrações e decepções acobertam um espírito não tão nobre,
enquanto o silêncio permanece à flor da pele.

Se não temos forças pra passar por aquele mar que não se abriu,
então é bom encontrar conforto num travesseiro
e meditar sobre as grandes conquistas dos fracassados.

Há uma banda tocando para um público que não gosta de música.
Há um profeta pregando para gafanhotos e libélulas.
Há uma guerra

cujos soldados têm corações de plástico.

Se não temos mais forças,
se detestamos esta guerra,
então é bom deixar que o mar nos leve pra bem longe das trincheiras.

Se a água é amarga
e o céu cobriu-se de nuvens,
é bom que a gente pare de olhar para o céu.

Somos apenas mais um, e isso é o que nos conforta.

Vida longa as idiotices dos anarquistas.
Que este vento de desilusões cubra pra sempre
a história dos que bebem vinho na taça do decadentismo.

Vida longa a criança abandonada na esquina de uma velha rua pacata.
Vida longa aos primeiros minutos de uma ressaca.
Vida longa reggae meloso que toca na radiola do meu avô.

domingo, 5 de julho de 2009

Maria Helana costuma dizer: "Um amor não concretizado é mais romântico"

Quanto tempo leva para um grande amor sair totalmente daquele cantinho do nosso coração? Como saber se podemos seguir em frente?


Pra amar alguém não é necessário nenhuma produção. Aceitar o amor e suas dificuldades não é muito fácil, porém é necessário. Conhecer uma pessoa e já se apaixonar é uma das coisas mais incríveis que a vida pode nos conceder. Não é muito bom chorar ao sob as lembranças de antes, e é muito melhor encontrar o riso

Não há mais motivo para um arrependimento hostil, só uma vontade de sentir o alívio trazido pela chuva. Uma vontade de alcançar o tudo aquilo que já foi perdido. Nosso universo curto nos obriga a uma vida obstinada e sem movimento. Descobri, vendo trechos de um filme de Truffaut e lendo alguns conceitos de Coutinho, que o amor é um problema político.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cumpro a sina

Vi-te na primavera
e no verão te esqueci

E assim descobrimos
que não sabemos mais como amar

[A fidelidade prometida no altar
não passa de uma cantada]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Do beco ao mar



Não chego a ti com
palavras
porque assim estarei mentindo
Chego a ti com
silêncio
porque assim, finalmente, me ouvirás.

***
Ontem
após o lavar dos pratos
seu nome me veio a cabeça
logo me pus a chorar

***
Das sinceras palavras que pretendia te dizer
sobraram apenas um reflexo.

Meu avô sempre diz:
Não é bom confiar em quem a gente não conhece.

***
Quando amar se torna difícil
resta a lisura consigo mesmo.
Um dia, quem sabe,
Trocaremos novamente os nossos telefones.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

No banheiro com Truffaut

Enquanto estou no banheiro, ainda meio sonolento e entediado, externando todos os dejetos desta segunda-feira apática e vazia, tento responder a indagação feita por François Truffaut: será que um crítico é capaz de fazer um filme?...

E, após puxar a descarga e refletir um pouco, cheguei a seguinte conclusão: depende do crítico!

sábado, 27 de junho de 2009

The Wolf

O copo de café suado se mantém em silêncio. O bar ainda continua fechado. Ainda meio tontos e entristecidos, conclamam seus alunos ao grande banquete da revolução perdida, em meio ao hasteamento da bandeira do novo país. Nossa vida é uma cápsula de amoxilina! nosso passado em Auschwitz confiscou a nossa prancha de surf! e o desprezo tornou-se rei de si mesmo.


Jack Kerouac é rei!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A mulher livre e eu, de Ricardo Kelme


É ela quem eu quero, a dona dessa boca. A boca docemente familiar que amanhece de mansinho na minha quando desperto de mais uma madrugada de sonho e suor. Porém, bem mais que a boca, é o beijo da liberdade dessa mulher que me refresca a vida.

É ela quem eu desejo, a dona desse corpo. O corpo que me sugere as mais poéticas indecências e me convida a desvendar os segredos que eu já sei de cor e quando estou lá, puff, de repente já não sei mais e então me perco por seus montes e planícies e cavernas e ao fim de tudo me contorço e urro e explodo no mais puro prazer de me perder. Porém, bem mais que no corpo, é na liberdade dessa mulher que a vida se desnuda pra mim.
É da presença dela que eu preciso, ela que me traz a certeza que não seguirei só. É de sua voz que carecem meus ouvidos, a voz que me embala a alma de blues e me faz convidá-la: vamos dançar, meu amor? É o meu olhar no seu que vejo quando nada mais vejo no breu das incertezas. Mas, sobretudo, é a liberdade dessa mulher que me clareia o caminho.

Ela é livre porque, apesar de ter nascido imersa numa cultura, cedo entendeu que não deveria limitar-se às suas regras e assim modelou seu ser com o que de melhor ela mesma encontrou pelo mundo. Evidente que esse não limitar-se às convenções fará dela uma eterna transgressora a incomodar os que só admitem o mundo pelas lentes de sua cultura e religião. Mas esse é o preço da alma liberta, ela sabe. E eu faço questão de pagar junto dela.

Houve um tempo que ela entendia seu corpo como algo contra o qual deve lutar todos os dias – até que percebeu que sua verdadeira beleza não vem de cosméticos mas de sua alma harmonizada com os ritmos naturais da vida. Hoje ela não precisa gastar para ficar chique e bonita pois a elegância da simplicidade há muito a fez sua modelo exclusiva. Sim, a mulher livre possui vaidades mas ela não é boba, sabe que os criadores de moda não almejam a sua felicidade mas a sua escravidão. E quanto a vestir-se pra fazer inveja a outras mulheres, bem, ela não precisa disso pois sabe que mais tarde quem rasgará sua roupa sou eu.

Os mistérios de si, ela vai buscá-los pois sabe que jamais seremos livres sem nos livrarmos do que por dentro nos paralisa e nos faz sabotar a própria vida. Ser livre é ampliar a cada dia a real noção de si, isso ela há muito compreendeu, e é por esse motivo que os que se libertam não se enganam mais como antes e, por serem verdadeiros, mais verdadeiras são suas relações.

E por bem saber o que ela é e o que não é, essa mulher nada tem a provar a ninguém. Se interpretam erroneamente seu jeito espontâneo, ela ri ainda mais do que pensam dela. Se seus desejos transcendem os velhos modelos sexuais, ela festeja e os divide generosa com eles ou elas, e em nome de seu sagrado prazer ela é a cadela devassa, a santa dadivosa da luxúria, a puta mais linda e desvairada que há.

A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é. Por não estar apegada a poder e dinheiro, ela é a mais rica e poderosa de todas. E é justamente por saber que a velhice é o segredo final da sabedoria que a vida todo dia vem banhá-la de alegria e vesti-la com esse jeitinho de menina encantador.

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle e compromisso: amamos o outro e não a posse do outro. Estamos juntos porque finalmente encontramos a liberdade que admira, acolhe e incentiva a nossa própria e até nos permite dividir com o mundo o nosso amor. E por não sofrer temendo perder quem na verdade nunca possuímos, mais vivemos e gozamos o melhor amor que temos pra nos dar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O essencial clássico

[A vida dos outros (Das Leben der Anderen), 2006]

Dilma, a cara-de-pau.


A Ministra entra pela porta da frente do estado e faz campanha eleitoral antes do tempo previsto pela legislação. O Presidente, por sua vez, para alegria dos milhares de coitados deste país, desfila no espaço aéreo do oriente. E o dinheiro público, pra variar, mais uma vez paga tudo.

A política é uma caixinha de vagabundos. E pra não ser contaminado por esta vagabundagem, é preciso entender bem a realidade e o significado das ações políticas; é preciso ouvir as melosas canções de Charlotte Gainsbourg.

A música folk e silêncio libertam o homem deste celeiro de ratos.

domingo, 14 de junho de 2009

Maturidade

Melancolicamente levo a vida. Fortes dores de cabeça fazem os meus olhos lacrimejarem de tanta dor. Os primeiros minutos deste domingo foram os piores de toda a minha existência. Enquanto cruzo a Bezerra de Menezes a procura de uma banca de jornal e de uma aspirina, volto a perceber que viver é uma grande besteira sadia.

Assim como Dylan, defendo o sagrado direito de ser deixado em paz. Adianta ficar irritado com aquilo que pertuba o juízo? talvez não. . . E sabe de uma coisa: o desprezo é uma arma poderosa.



quinta-feira, 11 de junho de 2009

Assim falou Paulo Ghiraldelli Jr.

"O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo."


Paulo Ghiraldelli Jr.
O Filósofo da Cidade de São Paulo

terça-feira, 9 de junho de 2009

Donald, o fudido.


Pato Donald comemora o seu aniversário (setenta e cinco anos). Desde mil novecentos e trinta e quatro, o cara enche o saco do mundo todo, inclusive o meu.
Eu odeio aquela voz chata. O cara simplesmente agonia o juízo de qualquer um.

Estou até agora procurando uma nacionalidade pro pato mais chato do planeta. Ele parece ser italiano, adora barulho. Na hierarquia dos patos famosos, prefiro o Patolino (um argentino nato), que é menos perturbador, apesar de também ser outro agoniado.

Dizem as más línguas que Donald ainda não encontrou uma profissão. Dizem que o cara não se adequa a nenhuma forma de trabalho. Na verdade, se alguma dia esse pato idiota me pedir um conselho, recomendarei a ele a profissão de Kaká, pois cada chute numa bola se torna milhões de euros. No entanto, se após o meu ótimo conselho, ele decidir ser funcionário público municipal de Fortaleza, ficará boa parte da vida acampado na Praça do Ferreira.

Mas Donald bem que poderia criar uma rede de fast-food e chama-la de McDonald's.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Copa do Brasil-Airton-Alba.

Vasco e Corinthians na Tv, e como não tenho tv por assinatura, sou obrigado a assistir a este jogo horrível. Preferia inter x coritiba.
Detesto o Vasco da Gama. É um time soberbo e corrupto. Apesar de torcer Fluminese, acho o Flamengo menos chato. Mas também não vou com a cara do timão, porque ele é o time do lula, logo não deve ser boa coisa.
Pra falar a verdade, não sou muito fã da copa do brasil. É uma competição meio 'sem sal'. A libertadores é muito mais cruel para com os torcedores. A libertadores tem mais charme. E além do mais a copa do brasil é muito previsível.
O jogo acabou. Os gaviões estão na final. Tomara que o inter consiga a classificação. O inter, atualmente, é o melhor time do país, logo derrotará o time do lula.
***
Airton Monte falou sobre sonhos. Disse que um homem sem sonhos é um homem morto. Concordo com ele, ainda que, na velha prática do dia, a mente não reserva muito espaço para os sonhos.
***
As crônicas do Aldir têm um toque especial. Gosto do jeito que ele demonstra o seu amor por Fortaleza. Liiiiidas!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

23:50

"Por duas vezes, ideia de suicídio. Na segunda vez, sempre olhando para o mar" Albert Camus. Diário de uma viagem, p. 153.

domingo, 31 de maio de 2009

Três-Cinco-Dois (todos atacam-todos defendem)

Gotas de água caem no chão das dunas de Flecheiras. Fortaleza tem paquete. Camocim tem canoa. Flecheiras tem canoa e paquete, mas não tem a torre e nem tão pouco revolução industrial.
As traves do campo de futebol são feitas de talo de coqueiro. O meio-campistas só não joga no gol. O vendedor de din-din ganha uns trocados com o seu pequeno negócio. A arquibancada é o mar. O jogo é a vida.
Fortaleza terá uma copa do mundo. E, enquanto a copa não chega, Flecheiras se torna um paraíso de prostitutas. No peito, como não há mais escudo, ficaram as saudades do Fluminense praiano, o tri campeão do campeonato trairiense.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O vendedor de lembranças

Os dois ofereciam ao pote de açúcar tudo o que nunca lhes havia sido oferecido. Sem dúvida, todos percebiam os grandes olhos da grande vizinhança do pequeno café parisiense. Muitos comentários, sobretudo dos ingleses, acerca daquele casal de namorados havia. "Em 1932 não havia muita coisa pra fazer", dizia uma esquisita velhinha. "Foi o auge da minha vida", dizia um velhinho ao seu cigarro. Ao amanhecer, fecharam a porta e os olhos. Voltaram à casa sem saber muito acerca do que havia acontecido. Dormiram por dois dias. Mais tarde, após o almoço do domingo, chá com biscoitos.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

É fechada a porta

Rituais esquisitos. Praça, flores e bancos. Crianças andam tranquilamente por algumas das incontáveis praças do planeta terra, enquanto o aparelho de mp3 toca "Road Trippin", de Red Hot Chili Peppers.
O velho Xamã Beat toma o seu chá de Ayahuasca. A multidão de curiosos parece ainda mais faminta. Logo logo, os pães e os peixes acabarão.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Felicidade variável

Ninguém frequenta os mesmos lugares por acaso. Estamos todos no mesmo barco. Naufrágio? breve!.. precisamos ainda saber onde deixar o nosso coração? o frio oceano é o lugar mais adequado.
Uma ligação não atendida pode ser um sinal de sinceridade, apesar de soar como uma indiferença ou desprezo. É preciso ter paciência. É preciso produzir ciência com as palavras? talvez não. "Prefiro as pernas que me movimentam".
De tudo um pouco. Porém as coisas parecem mais simples. Elegância é um detalhe introspectivo. E agora só nos resta saber quando será o próximo domingo. Uma verdade: O banco da praça é melhor que o banco da universidade.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Outra medida, ou outro modo.


Carros têm motor... e alguns homens têm coração. Tanques vencem guerras sangrentas... e algumas flores conseguem vencer o inverno. Grandes empresas conquistam grandes lucros... e grandes amigos conquistam grandes paisagens e belas aventuras. Multidões formam países... e um homem sozinho cria ensinamentos. O casamento forma famílias... e o amor forma a verdade. Na há estrada que não possa ser vencida pelo poder das pernas.


Vibration

" ...é difícil ficar zangado quando há tanta beleza no mundo, às vezes acho que estou vendo tudo de uma vez só, e é demais, meu coração se enche como um balão preste a estourar. Então eu me lembro de relaxar e de tentar parar de me apegar a isso, e então tudo flui através de mim como uma chuva, e eu não posso sentir nada além de gratidão por cada momento de minha vida idiota. Vocês não têm idéia do que estou falando, tenho certeza, mas não se preocupem, um dia terão".
(Beleza Americana, 1999)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

quando a questão é o anonimato - Parte II (Retrato)


Cine São Luiz. Praça do Ferreira, Fortaleza/CE.

PARA ONDE VAI

Homens de gravata falam e falam.

Meninas e mulheres dançam.

Os pássaros se escondem.

Meninos jogam bola.

Árvores balançam.

Folhas caem.

Ébrios riem.

Há lua

A lua

Dia

Tv

Para onde vai o trem?

sábado, 9 de maio de 2009

Um certo amigo...


Passaram-se mais ou menos dez anos. Velho demais está. Sua cabeça nada sente mais. Nem o coração se enche de alegria. A vida passou muito rápido, e a bota não saiu do pé. Num velho voyagem roubado, numa madrugada chuvosa, cruzou ele a fronteira. Nunca mais o viram. Aurora, cheiro de chuva, estrada...


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Para Dio.

Telefone desligado.
a chuva forte trouxe consigo bons ventos.

pequenos olhares e horas de conversas mantinham.
a sorte, ainda que tarde, aos poucos, foi chegando.

blusão
frio
café
cigarro
folk music

"minha hora chegou?", perguntou ele.
mas ela, ainda contrariada, ficou em silêncio,
e apenas olhou para a Santos Dumont.


JUNTOS PELA VIDA

domingo, 3 de maio de 2009

00:14

doido
domingo

cheio de nada
vazio de vida

nada de bom
é domingo

é o doido
dos doidos e desgostosos domingos

ah!.. doce e doido domingo

sábado, 2 de maio de 2009

Poema para Dal.

Daquela doce primavera
sobraram apenas folhas secas.

Na mesma praça,
Um ano depois,
Chora o tempo que passou.

Virtudes
Exageros
Cóleras
onde ele errou?

Ainda meio atordoado,
Repara na lentidão das nuvens.

Ainda meio esquecido...
conversa com as margaridas,
que, sem dúvida alguma,
eram as únicas testemunhas
daquele carnavalesco amor.

TAREFA COTIDIANA

quinta-feira, 30 de abril de 2009

NAVEGANDO PELO DECADENTISMO

Ontem, às três e quarenta e cinco da tarde, estavamos tomando um saboroso vinho seco, num dos melhores restaurantes da cidade. Agora estamos sentados no chão da praça, enquanto aguardamos o ônibus da meio-noite passar.
Sem um tostão no bolso, cansado, deprimido, sujo.
Aos poucos, aprenderemos a utilizar o manual do Decadentismo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009


(Little Miss Sunshine, 2006)

Lições no Verbo Imperativo

Enrole suas gravas antes de guardá-las. Colecione moedas. Trabalhe o quanto puder. Faça tudo pra fugir deste caos. Não esqueça, pelo menos por enquanto, daquele sol platônico. Você é mais um a sair da caverna.
Fume cigarros. Coma batatas. Beba vinho.
Arrume seu quarto. Lave louça. Faça algo pra escapar da peste enviada por Sísifo.
Escute Something In The Way. Escute quantas vezes puder todas as músicas que fazem o seu coração mais doce. Acredite ainda na pureza do coração do mais pobres. Acredite que sua cidade sairá desta condição desumana. Acredite que o mar deixa as pessoas melhores.
Não ligue para um bate-boca no plenário do supremo tribunal federal. Não entregue sua atenção a eles. São apenas dois vaidosos.
Comova-se com o choro dos infelizes. Invista todas as suas fichas num amor. Aprenda a ter mais paciência. "Você tem que ser Werther, ou nada".
Defenda hoje o que você pode negar amanhã. A mudança de opinião é saudável.

terça-feira, 21 de abril de 2009

CIDADÃO PACATO DIRETAMENTE DE ORAN

Contas a pagar. Caixas fechados. Pouco dinheiro. A peste está em todos os lugares. Pouco a Pouco, o serviço de saúde identifica quem está com o mal.
Pessoas. Problemas. Palavras. Perigos. Pedidos de perdão. Pesadelos. Pensamentos.
Com o passar do tempo, a vida vai ficando mais difícil. A peste faz você procurar Deus somente por interesse. Os homens e suas tolices invocam Deus constantemente. Quem paga a conta?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

GRANDES MONSTROS

Kent Williams


Grandes montros
nunca são educados.
ao contrário,
acusam sem medo.



Pequenos homens
deliram sempre.
entre uma hora e outra
pedem perdão e se acabam.



quando tudo isso acabar
ou quando tudo isso acaba?
nós temos a resposta.



De um lado: carros. casamento. plano de saúde.
concurso. saldo positivo. vitória. sorriso na foto.



Do outro: pés. encontros. cigarros.
aposentadoria. fiado. vento no rosto.
Mar. gargalhadas. indiferença. prazer.
chuva. bicicleta. palavras. música.



"estamos perdidos neste mundo"
alguém duvida?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

quando a questão é o anonimato

Distanciou-se do céu
Deixou as estrelas em paz

Percorreu um longo caminho
Chegou onde ninguém tinha vontade de ir

Sentiu frio, fome e sede, enquanto se desviava dos perigos da estrada

Conheceu lugares que mais lembravam feridas
Enfrentou Ulisses, Hércules e Édipo

Beijou Helena, Antígona e Raquel

Sentiu-se sozinho. jogou. fez frases
Andou sozinho pela cidade

Nunca mais o encontraram

domingo, 5 de abril de 2009

Segunda.Trabalho.Sol.Saudade da sexta.

Foto: Zemakila


Acordaram cedo. O céu ainda aguarda o sol. Às cinco da manhã já se tem os primeiros sinais dos ônibus. Os terminais acordam. As pessoas despertam e são empurradas para o abismo da segunda-feira. As ruas são tomadas por todo tipo de gente e veículos.
O Mercado São Sebastião também acorda. Os primeiros caminhões já chegam carregados de milho verde e feijão maduro. As peixarias, que ficam na perifiria do grande mercado, não tardam em exalar o seu odor. E os primeiros clientes já dão sinal de vida. É a perfeita sincronia do bairro Farias Brito.
Mais tarde, quando o sol ceder o seu lugar a um belo luar, todos retornam ao aconchego dos seus lares. Uma janta os espera. Um sofá também. Na divina comédia humana há tevê ligada, olhos cerrados, corpor exausto e uma vontade enorme de não mais rolar a pedra.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lembranças de um tempo não tão distante


Lord Hotel - Centro de Fortaleza.
Foto: Francisco Edson

O centro de Fortaleza, até pouco tempo, não tinha lugar em meu coração. Eu não suportava o barulho dos carros, dos ônibus e das chamadas comerciais. Era tudo tão perturbador, que eu fui conhecer realmente o centro quando saí definitivamente do interior.

Estudei nos colégios do centro da cidade. Colégio Sistema, Anglo e outro que não recordo o nome me receberam na adolescência. Colégios caóticos, onde o aprendizado não era levado muito em conta. Esses colégios gostavam de formar atletas. Mas como eu nunca fui atleta e nunca gostei de competir, apesar de gosta muito de futebol , acabei não me identificando muito com nenhum deles.

Eu gostava mesmo era de ficar observando o acordar do centro. Aquelas lojas de produtos eletrônicos da Pedro Pereira abrindo as portas e os vendedores de tapioca empurrando seus carrinho; O pastel com caldo-de-cana da Lanchonete Alvorada (General Sampaio com Pedro Pereira); O chegar e sair dos ônibus vomitadores de multidões; O despertar dos mendigos e o queimar do sol sob as paredes do Lord Hotel.

Aquele movimento todo era melhor que as baboseiras que eu ouvia em sala de aula. O centro tinha mais vida. Quando a aula terminava mais cedo, eu ia direto pra praça José de Alencar vê algum show de humor ou a cantoria dos repentistas.

Tempo bom. Tempo sadio. Tempo que me fez amar o centro. Hoje, quando faço o mesmo percurso que fazia antes (só que agora não mais no papel de menino do interior), vejo muitos personagens daquela época. Porém sem fisionomia de antes, pois o tempo passou e consumiu boa parte da juventude corporal de cada um, sem no entanto tirar a ideia de que os dias irão melhorar.

terça-feira, 31 de março de 2009

Segunda-Feira, às sete da manhã, a alegria vai embora.



daily

Sr Leek
corta-se
lâmina de barbear
todas manhãs

usa gravata
sirônicas & discretas

paletós de
risca de giz

lê jornal
adormece

após
notícias

BBC.



VIRNA TEIXEIRA
(Poeta e tradutora que eu tive o prazer de conhecer por meio de Ruy Vasconcelos)

segunda-feira, 30 de março de 2009

EM RESPOSTA AO CAPELÃO

"Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava"

(Albert Camus. O estrangeiro, p. 30)

domingo, 29 de março de 2009

Domingo e Sábado com Galvão: Bêbado na padaria!

Enquanto o Rubinho chegava em segundo, o Ruy fumava mais um cigarro e a Ingrid tomava cerveja. Daniel, que ainda estava embriagado, olhava para o céu e não via estrelas.

Um sanduíche de peru tirava meu apetite. A costumeira dor de cabeça também estava lá. Cinco da manhã é um bom horário para puxar uma conversa. A chuva, que ficou com gente durante toda a noite, fechou os olhos e dormiu.

Régis e a sua motocicleta dormiram abraçados. Dalviane foi embora de barco.
Que o maranhão lave a louça...

quarta-feira, 25 de março de 2009


(Chris, 1992)

"Passei por muita coisa na vida e agora penso que encontrei o que é necessário para a felicidade. Uma vida tranquila e isolada no campo, com a possibilidade de ser útil gente para quem é fácil fazer o bem e que não o está acostumada que o façam; depois trabalhar em algo que se espera tenha alguma utilidade; depois descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo - essa é a minha idéia de felicidade. E depois, no topo de tudo isso, você como companheira, e filhos talvez - o que mais pode o coraç o de um homem desejar?"

(Leon Toistoi, "Felicidade Familiar")

"Amanhã... todo mundo terá esquecido todo mundo"

"...quando me estendo na cama, vejo o céu, apenas o céu. Os meus dias inteiros, passo-os a olhar na sua face, o declínio das cores que conduz noite. Deitado, ponho as mão o debaixo da cabeça e espero..."

O estrangeiro, Albert Camus.

sábado, 21 de março de 2009

SOBRE A ARTE DE ESCOLHER O QUE SE DESEJA.

















(foto: Daine Arbu)

Numa terra distante, aproximadamente oito mil km além do planeta terra, vive um homem chamado nada. Assim como Deus, o Sol e a Verdade, ele é só. Não sente falta de algum ser que o deixe preenchido ou que o distraia. Sua solidão o o conforta. A solid o é a sua companhia.. Sua montanha é a sua cidade. Lá de cima ele v o mal e bem...

domingo, 8 de março de 2009

ESTAVA ESCRITO

Ontem, ao fechar pela a última vez a porta do “Beth”, a melancolia de um drama europeu bateu de forma brutal. Reparei, após a última volta da fechadura, que eu nunca saio de um lugar sem deixar um rastro de pólvora.

Fortaleza, 12 de janeiro de 2009.

sábado, 7 de março de 2009

ABSURDO LÍRICO

Seis da manhã
Ligo o rádio
E esqueço último beijo que você me deu

Durmo
Desligo o rádio
E penso no último abraço que você me deu

Às seis
Esqueço do beijo
E acordo assustado

Penso
Desligo o abraço
Durmo

Esqueço o horário
Acordo o beijo
Ligo o amanhã

Abraço
Durmo
Desligo-me

Às seis
Ligo o rádio
Beijo o amanhã
E esqueço que o ontem findou em passar

À noite
Num quarto
Penso que durmo
Mas, na verdade, continuo a pensar em ti.

NÃO PROMETO

não prometo nada
calarei vazio
e viverei somente

daquele romance
apenas promessas
nada existiu


e o rosto contente
não mais riu...
chorou sem parar

NOITE NA PRAÇA









domingo, 1 de março de 2009

EVAPORAR

"O ANDARILHO: Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a Terra senão como andarilho — embora não como viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo o que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade. Sem dúvida sobrevêm a um tal homem noites más, em que ele está cansado e encontra fechada a porta da cidade que deveria oferecer-lhe pousada; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais de presa uivem ora mais longe ora mais perto, um vento mais forte se levante, ladrões lhe levem embora seus animais de tiro. E então que cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração se cansa da andança. Se então surge para ele o sol da manhã, incandescente como uma divindade da ira, se a cidade se abre, ele vê nos rostos dos quais aqui moram, talvez ainda mais deserto, sujeira, engano, insegurança, do que fora das portas — e o dia é quase pior que a noite. Bem pode ser que isso aconteça às vezes ao andarilho; mas então vêm, como recompensa, as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz ele vê, na névoa da montanha, os enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, quando ele, tranqüilo, no equilíbrio da alma de antes do meio-dia, passeia entre árvores, lhe são atiradas de suas frondes e dos recessos da folhagem somente coisas boas e claras, os presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, floresta e solidão estão em casa e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia, entre a décima e a décima segunda badalada, ter um rosto tão puro, translúcido, transfiguradamente sereno: — buscam a filosofia de antes do meio-dia."

(F. Nietzsche. Humano, Demasiado Humano, Cap. VIII, § 638)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ANÁLISE ANALÍTICA

ENCONTROS DESCARTÁVEIS - “CONTO CURTO”

Conheceram-se pelos olhares. Marcaram de se encontrar no sábado. Ânsia. Medo. Tensão. Tudo se perdeu... Não era o que eles esperavam.

CARNAVAL

Depois de algum tempo, mais ou menos cinco anos, fui novamente ao carnaval. O destino, como não poderia deixar de ser, foi Flecheiras.

Ouvi muito Strokes. E Los Hermanos também. Revi amigos. Meninas fizeram o meu coração tremer. Bebi. Dancei. Viajei. E no final continuei com a mesma melancolia de sempre. Ao chegar a casa, revi o meu amigo Nietzsche.



MEU PODRE DENTE

Sofro com o meu dente. É que ele está podre, como diz alguns de meus colegas. Tenho preguiça de ir ao dentista, apesar de ter um plano dentário razoável. Meu dente faz me sentir humano. Ele me faz perceber que sou vulnerável também às dores físicas.


MEU PODRE DENTE, PARTE 2

Depois de algum tempo, mais ou menos cinco anos, fui ao carnaval. O destino, como não poderia deixar de ser, foi flecheiras. Conheci uma garota, que, curiosamente, me fez perceber que a vida paira sobre a ética dos encontros descartáveis. A dita tem namorado, ou tinha, não sei. Foi isso que me deixou meio frágil. Porém compreendi que sob efeito de uma “leve sensação...” as coisas ficam muito mais fáceis, e as atitudes são incrivelmente irracionais. Mais uma vez me senti arrependido pelo que fiz. Infringir as regras românticas não é bem o meu estilo, pois eu sempre me vejo na pele do traído.

Uma menina fez o meu coração tremer. No entanto, aquela que eu queria vez não estava lá. A menina que fez tremer meu coração traiu o seu namorado. Eu me senti mal. Ela também não ficou bem. Fomos para casa sem dirigir uma palavra ao outro, e para a infelicidade do meu dente, a leve sensação passou. Meu pobre dente podre voltará ao dentista e me fará sentir novamente humano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

BETH, 2008.

SERES MAIS PACIENTES.


Espero que você não pergunte sobre as minhas variações. Mas torço para que você esqueça do nosso passado. Descobri uma coisa: a musica de Dylan sempre usurpa a sensatez da minha alma. É como se eu perdesse o último resquício de moral.

Nós, os imoralistas, como diz o filósofo, gostamos da tragédia grega, e também não temos medo de vivê-la. Para os moralistas, a tragédia só pode ser vivida no além de nós. Mas nós a vivemos na própria vida. Não temos medo de sentar a mesa em que ela está sentada. Não temos mais medo do inútil. Somos seres mais pacientes. A solidão nunca nos atingirá.

FARRAS E SONO


Dois dias de folga são o conceito do meu fim de semana. Neste pouquíssimo tempo, apenas duas coisas me fazem companhia: as farras, que geralmente começam à noite, e o sono, que vem logo após as farras.


DOM MANUEL, 375.


Hoje deixei o resto do almoço na lixeira da rua, Na esperança de algum mendigo, ao vasculhar o lixo,o coma. A Avenida Dom Manuel, que, às vezes, parece mais um cemitério que propriamente uma avenida tem um semblante obscurecido. Para os socialistas, ela divide a cidade entre pobres e ricos. Para mim, entretanto, ela é uma prostituta que espera o seu imaginário estrangeiro. Estou aqui a mais ou menos um mês. Não sei ao certo quando cheguei. Moro só. Num cômodo 2 por dois.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A LOUCURA ESTÁ EM "ELECTRICITYSCAPE".


Discordo de Erasmo de Roterdã, sobretudo quando este, em seu ensaio “O elogio da Loucura”, imputa à loucura um caráter comum, findando assim em rebaixá-la a condição de comum, isto é, normal. Loucura, talvez, "seu roterdanzinho", é tão somente uma condição das pessoas santas, das escolhidas, ou, como diz o maruim, separadas. Chamar de loucura todo ato diverso daquilo que é comum é como dizer que todas as músicas são belas e que todos os livros são perfeitos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A FORTE CHUVA

Eu morava numa pensão que carinhosamente era chada de “beth”. Não sei ao certo a origem deste carinhoso apelido; só sei que foi colocado pelos meus amigos. Pois bem, morava eu nesta pensão chamada beth. Um lugar meio hostil, diferente dos condomínios de luxo que brotam do chão. Lá tinha uma liberdade aconchegante, apesar de muito quente. Podemos dizer que era tranquilo.

Por consequencias da vida ou por ironia do destino, apesar de não ser o lugar que eu desajava, brotou do fundo do meu coração um amor muito grande por aquele cômodo dois por dois. Talvez fosse por causa da proximidade do cinema, do mar, dos bares e de todas as coisas que serviam de entorpecente. Talvez fosse por causa do sossego que havia ali, sobretudo quando eu estava deitado na minha cama assitindo tv.

Fiz planos; não muitos, todavia os fiz. Fiz planos, que, numa quinta-feira, foram levados por uma forte tempestade que me deixou meio triste. Mas, segundo Nietzsche, a tragédia faz-nos afirmar mais a vida. É isso! Preciso acreditar que a tragédia fortifica a vida. Preciso acreditar que a fraqueza está em negar a vida. Eu realmente preciso acreditar, pois as condições absurdas estão me fazendo demasiadamente indiferente.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

UM POUCO MAIS




Besteira decadente

Estrela ascendete

Juventude deliquente.


Vinho

Música

Cigarros


Besteira delinquente

Estrela decadente

Juventude ascendente


R$ 5,00

R$ 0,00

R$ 3,50

---------

R$ 8,50


Besteira ascedente

Estrela delinquente

Juventudude decadente

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

um poema, mais um dia

Por acaso temos pressa?

Temos algo?

Estamos completamente sem nada...

Usurparam até as lembranças.

Sempre em frente, diz a luz, em “o preço, de Gessinger.

Mas como podemos ir em frente?

Por acaso há luz?

N. Reis, em sua, digamos, famosa ópera,

Prometeu não mais mentir, até que o caminho encontre.

E hoje, neste dia cansativo, onde os boatos de demissão rodaram os meus ouvidos,

Fico feliz em saber que o mundo ainda é bom, e que, como diz Camus:

“não imagino outra coisa que não seja a vida”.

Assim, termino de fumar mais um dos meus inúmeros cigarros

Olhando para a humanidade;

Olhando para a monstruosa rampa de lixo que há em frente a minha casa.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

os habitantes da cidade




(Praça do Ferreira, Fortaleza/Ce)


O relógio tocou às oito e vinte. A cidade acordou tarde! De longe, se via a melancolia daqueles que, aos poucos, saiam para mais um dia de trabalho. Era um dia estranho, talvez por causa do sol, que até aqui se mostrava mais insuportável.

As pequenas pessoas daquela inútil cidade saiam para trabalhar. Saiam por que precisavam. Saiam por que do trabalho sai o seu sustento. Se tivessem a sorte de terem nascido numa família rica, talvez deixassem o trabalho de lado. É uma verdade: ninguém gosta de trabalhar.

É preciso ter disponibilidade para fazer o que Thoureau e McCandless fizeram. Enquanto esta disponibilidade não chega, os habitantes da cidade sonham com dias melhores. Sonham com dias que calmos, serenos.; dias que realmente serão felizes...
"acaba a grana...
mês ainda tem"

(Gessinger)

Amigo blog,



Eu sou o eterno apaixonado em busca do amor perdido. Eu o perdido mendigo apaixonado pela cidade cruel. Sou insatisfeito. Sou fraco. E sei que nunca superarei os meus medos.

Morrerei em paris...

Odeio ver pessoas sendo privada de sua liberdade. Odeio que se intrometam em minha vida (mas quem não odeia?). Odeio ver pessoas sendo humilhadas. Detesto a arrogância.

Gosto das noites em flecheiras. Gosto das canções de Bob Marley. Gosto das canções de Bob Dylan - Bob². Fumo. Fumo cigarro. Fumo cannabis, às vezes. Gosto de vinho. Gosto de vinho levemente suave. Gosto do mar. Gosto da Praça do Ferreira. Gosto de algo que ainda não vi. Vodka me deixa com fortes dores de cabeça.

Ultimamente, tenho recebido muitas reclamações por conta das minhas noitadas. Mas só escuto os reclames, não os contesto, pois sei que, no fundo, estes reclames são meros espelhos do passado dos atuais reclamantes.

Moro só. A solidão me deixa muito tempo calado. Meu ventilador, minha geladeira e minha televisão são meus únicos empregados. Fazem tudo na hora certa, porém o ventilador é meio anarquista, nunca ameniza o calor da maneira que eu quero.

Na parede da minha atual casa (ou melhor, quarto), há uma moldura com Dylan e Camus. Camus tinha a mesma melancolia que, nestes vinte e quatro anos de vida, eu tenho. Assim como eu, talvez ele se sentisse rejeitado pela mulher amada. Mas Camus tinha uma coisa que eu não tenho: as ruas de Paris. Eu, no entanto, tenho uma coisa que Camus não tinha: a noite de flecheiras.

A vida passa rápido (clichê?... talvez!).

Morar numa casa que não possui janelas é ruim. O calor é insuportável. Mas prefiro o calor, pois a usurpação da liberdade é muito pior.

Passou-se o ano de 2008 e quase não percebi.
Porres. Festas. Cinema. Cigarros. Livros. Vinhos. Liberdade. Meu pai. Banco. Daniel, Paulo e Diovanna. Pensão. Noitadas. Reclames...

Do ano de 2009 não espero muita coisa. Não fui acostumado a fazer previsões. Gosto de deixar o ano pensar e agir sozinho. Só uma coisa eu peço a Deus: que minha produção intelectual cresça, e que eu encontre pessoas que me ensinem o que eu ainda não sei. Tomara que o meu desejo se realize...