segunda-feira, 29 de junho de 2009

No banheiro com Truffaut

Enquanto estou no banheiro, ainda meio sonolento e entediado, externando todos os dejetos desta segunda-feira apática e vazia, tento responder a indagação feita por François Truffaut: será que um crítico é capaz de fazer um filme?...

E, após puxar a descarga e refletir um pouco, cheguei a seguinte conclusão: depende do crítico!

sábado, 27 de junho de 2009

The Wolf

O copo de café suado se mantém em silêncio. O bar ainda continua fechado. Ainda meio tontos e entristecidos, conclamam seus alunos ao grande banquete da revolução perdida, em meio ao hasteamento da bandeira do novo país. Nossa vida é uma cápsula de amoxilina! nosso passado em Auschwitz confiscou a nossa prancha de surf! e o desprezo tornou-se rei de si mesmo.


Jack Kerouac é rei!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A mulher livre e eu, de Ricardo Kelme


É ela quem eu quero, a dona dessa boca. A boca docemente familiar que amanhece de mansinho na minha quando desperto de mais uma madrugada de sonho e suor. Porém, bem mais que a boca, é o beijo da liberdade dessa mulher que me refresca a vida.

É ela quem eu desejo, a dona desse corpo. O corpo que me sugere as mais poéticas indecências e me convida a desvendar os segredos que eu já sei de cor e quando estou lá, puff, de repente já não sei mais e então me perco por seus montes e planícies e cavernas e ao fim de tudo me contorço e urro e explodo no mais puro prazer de me perder. Porém, bem mais que no corpo, é na liberdade dessa mulher que a vida se desnuda pra mim.
É da presença dela que eu preciso, ela que me traz a certeza que não seguirei só. É de sua voz que carecem meus ouvidos, a voz que me embala a alma de blues e me faz convidá-la: vamos dançar, meu amor? É o meu olhar no seu que vejo quando nada mais vejo no breu das incertezas. Mas, sobretudo, é a liberdade dessa mulher que me clareia o caminho.

Ela é livre porque, apesar de ter nascido imersa numa cultura, cedo entendeu que não deveria limitar-se às suas regras e assim modelou seu ser com o que de melhor ela mesma encontrou pelo mundo. Evidente que esse não limitar-se às convenções fará dela uma eterna transgressora a incomodar os que só admitem o mundo pelas lentes de sua cultura e religião. Mas esse é o preço da alma liberta, ela sabe. E eu faço questão de pagar junto dela.

Houve um tempo que ela entendia seu corpo como algo contra o qual deve lutar todos os dias – até que percebeu que sua verdadeira beleza não vem de cosméticos mas de sua alma harmonizada com os ritmos naturais da vida. Hoje ela não precisa gastar para ficar chique e bonita pois a elegância da simplicidade há muito a fez sua modelo exclusiva. Sim, a mulher livre possui vaidades mas ela não é boba, sabe que os criadores de moda não almejam a sua felicidade mas a sua escravidão. E quanto a vestir-se pra fazer inveja a outras mulheres, bem, ela não precisa disso pois sabe que mais tarde quem rasgará sua roupa sou eu.

Os mistérios de si, ela vai buscá-los pois sabe que jamais seremos livres sem nos livrarmos do que por dentro nos paralisa e nos faz sabotar a própria vida. Ser livre é ampliar a cada dia a real noção de si, isso ela há muito compreendeu, e é por esse motivo que os que se libertam não se enganam mais como antes e, por serem verdadeiros, mais verdadeiras são suas relações.

E por bem saber o que ela é e o que não é, essa mulher nada tem a provar a ninguém. Se interpretam erroneamente seu jeito espontâneo, ela ri ainda mais do que pensam dela. Se seus desejos transcendem os velhos modelos sexuais, ela festeja e os divide generosa com eles ou elas, e em nome de seu sagrado prazer ela é a cadela devassa, a santa dadivosa da luxúria, a puta mais linda e desvairada que há.

A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é. Por não estar apegada a poder e dinheiro, ela é a mais rica e poderosa de todas. E é justamente por saber que a velhice é o segredo final da sabedoria que a vida todo dia vem banhá-la de alegria e vesti-la com esse jeitinho de menina encantador.

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle e compromisso: amamos o outro e não a posse do outro. Estamos juntos porque finalmente encontramos a liberdade que admira, acolhe e incentiva a nossa própria e até nos permite dividir com o mundo o nosso amor. E por não sofrer temendo perder quem na verdade nunca possuímos, mais vivemos e gozamos o melhor amor que temos pra nos dar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O essencial clássico

[A vida dos outros (Das Leben der Anderen), 2006]

Dilma, a cara-de-pau.


A Ministra entra pela porta da frente do estado e faz campanha eleitoral antes do tempo previsto pela legislação. O Presidente, por sua vez, para alegria dos milhares de coitados deste país, desfila no espaço aéreo do oriente. E o dinheiro público, pra variar, mais uma vez paga tudo.

A política é uma caixinha de vagabundos. E pra não ser contaminado por esta vagabundagem, é preciso entender bem a realidade e o significado das ações políticas; é preciso ouvir as melosas canções de Charlotte Gainsbourg.

A música folk e silêncio libertam o homem deste celeiro de ratos.

domingo, 14 de junho de 2009

Maturidade

Melancolicamente levo a vida. Fortes dores de cabeça fazem os meus olhos lacrimejarem de tanta dor. Os primeiros minutos deste domingo foram os piores de toda a minha existência. Enquanto cruzo a Bezerra de Menezes a procura de uma banca de jornal e de uma aspirina, volto a perceber que viver é uma grande besteira sadia.

Assim como Dylan, defendo o sagrado direito de ser deixado em paz. Adianta ficar irritado com aquilo que pertuba o juízo? talvez não. . . E sabe de uma coisa: o desprezo é uma arma poderosa.



quinta-feira, 11 de junho de 2009

Assim falou Paulo Ghiraldelli Jr.

"O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo."


Paulo Ghiraldelli Jr.
O Filósofo da Cidade de São Paulo

terça-feira, 9 de junho de 2009

Donald, o fudido.


Pato Donald comemora o seu aniversário (setenta e cinco anos). Desde mil novecentos e trinta e quatro, o cara enche o saco do mundo todo, inclusive o meu.
Eu odeio aquela voz chata. O cara simplesmente agonia o juízo de qualquer um.

Estou até agora procurando uma nacionalidade pro pato mais chato do planeta. Ele parece ser italiano, adora barulho. Na hierarquia dos patos famosos, prefiro o Patolino (um argentino nato), que é menos perturbador, apesar de também ser outro agoniado.

Dizem as más línguas que Donald ainda não encontrou uma profissão. Dizem que o cara não se adequa a nenhuma forma de trabalho. Na verdade, se alguma dia esse pato idiota me pedir um conselho, recomendarei a ele a profissão de Kaká, pois cada chute numa bola se torna milhões de euros. No entanto, se após o meu ótimo conselho, ele decidir ser funcionário público municipal de Fortaleza, ficará boa parte da vida acampado na Praça do Ferreira.

Mas Donald bem que poderia criar uma rede de fast-food e chama-la de McDonald's.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Copa do Brasil-Airton-Alba.

Vasco e Corinthians na Tv, e como não tenho tv por assinatura, sou obrigado a assistir a este jogo horrível. Preferia inter x coritiba.
Detesto o Vasco da Gama. É um time soberbo e corrupto. Apesar de torcer Fluminese, acho o Flamengo menos chato. Mas também não vou com a cara do timão, porque ele é o time do lula, logo não deve ser boa coisa.
Pra falar a verdade, não sou muito fã da copa do brasil. É uma competição meio 'sem sal'. A libertadores é muito mais cruel para com os torcedores. A libertadores tem mais charme. E além do mais a copa do brasil é muito previsível.
O jogo acabou. Os gaviões estão na final. Tomara que o inter consiga a classificação. O inter, atualmente, é o melhor time do país, logo derrotará o time do lula.
***
Airton Monte falou sobre sonhos. Disse que um homem sem sonhos é um homem morto. Concordo com ele, ainda que, na velha prática do dia, a mente não reserva muito espaço para os sonhos.
***
As crônicas do Aldir têm um toque especial. Gosto do jeito que ele demonstra o seu amor por Fortaleza. Liiiiidas!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

23:50

"Por duas vezes, ideia de suicídio. Na segunda vez, sempre olhando para o mar" Albert Camus. Diário de uma viagem, p. 153.