domingo, 14 de dezembro de 2008

SOBRE A VONTADE DE FICAR SÓ E A TV

Há mais ou menos três meses, moro só. No começo, tinha apenas um colchão, alguns livros e um laptop. Hoje, aos poucos, consegui mais algumas coisas, como, por exemplo, uma geladeira, uma guarda-roupas, um ventilador, um escorredor de pratos.

Neste momento, a tv mostra as destruições ocorridas em Santa Catarina. Uma tragédia, Uma lamentável tragédia. No entanto, tem seu lado bom, porque aguça o sentimento de recomeço, reconstrução. A tragédia nos faz perceber que não somo nada, e que Deus é o senhor de tudo. A tragédia talvez seja uma revolta não desejada.

Filmes, Novelas, Programas de auditório, Cultos, Missas, Jornais, Entrevistas, etc me fizeram esquecer o que passou. Por passar muito tempo sem assistir tv, estava com uma vontade enorme de passar o fim de semana vendo as besteiras que ela mostra.

Na sexta, tomei vinho tinto suave enquanto via a programação. No sábado, tomei vinho branco e fumei alguns cigarros. Queria esquecer o que passou, e deixei o celular no menu silencioso, para não falar com ninguém, nem mesmo com a minha sobrinha, que estava em plena festinha de ABC.

Reservei o meu fim de semana para a minha tv. Reservei os meus dois dias de folga para a solidão. No final da minha midiática aventura, conclui que, antes que se prove o contrário, não adianta tentar burlar a solidão com festas inúteis. Sair de casa só pra dizer que saiu é deprimente.

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