
Não sei ao certo, mas acho que este é um dos sábados que passo plenamente em casa. É esquisito, o sábado em casa tornou-se diferente. Uma garrafa de Sauvignon me faz companhia. Canções de Bob Marley relaxam o meu espírito. Meu vizinho da esquerda está escutando Iron Maider. A minha vizinha da frente saiu com as amigas. Um outro vizinho faz faxina. E eu? Eu esculto Bob Marley tomando vinho.
A solidão é interessante. A solidão é um jogo. A solidão e um jogo que se joga só. E, por ser um jogo que se joga só, não há como perder. A solidão não é a ausência de companhia, mas a ausência de uma boa conversa. É verdade quando dizem que se pode está só em meio à multidão.
Jantei no Dom Kilme, um restaurante de terceira ou quarta categoria que abriga todo tipo gente, de chilenos bebedores de cerveja a prostitutas que comem pizza antes de ir ao, digamos, trabalho. No Dom a relação custo benefício é uma das melhores. Não há como resistir um contra-filé no Dom, é bom e barato.Um contra-filé, uma caneca de vinho tinto e uma garrafa de água saem por menos de nove reais.
Após o jantar, andei pelo bairro. Encontrei um park de diversões. Lembre de minha sobrinha Maria de Fátima. Comprei água. Acessei o orkut, na lan house do supermercado. Andei novamente pelo bairro. Não tive vontade de ir ao dragão. A noite de sábado resumiu-se ao conhecimento, que é a única coisa que não levarão de mim. Talvez eu me acostume a isto. Talvez não seja mesmo bom embriagar-se em público. A embriaguez é perfeita quando se está só, porque não limitamos as nossas ações.
Bob Marley se foi. Gessinger me faz companhia, mais precisamente o álbum simples de coração, que talvez o melhor disco de Gessinger. A madrugada se aproxima. Estou a mais ou menos três horas se dizer uma palavra. Farei voto de silêncio até ao meio-dia de domingo. Não falarei nada. Se o celular tocar, eu não atenderei.
Agora é a gaita de Dylan que invade a fumaça do meu cigarro. É hora de dormir, são cinco e dez da manhã.
Boa noite!

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