segunda-feira, 10 de novembro de 2008

9.11.2008


Tentei afastar de mim o que não me pertencia. Consegui! Afastei todos os pertences indesejáveis, e hoje tenho uma fotografia de Nietzsche na minha janela. Afastei de mim as injustiças. Posso dizer que a felicidade é epicurista. E posso dizer também que, se exagerada, a virtude transforma-se em vício.

Não sei se devo me respeitar, afinal eu não sou a pessoa mais importante deste mundo; todavia não sou a menos importante – quem será?

Sinto o meu espírito num estado de absoluta compreensão e indiferença. É como se eu não estivesse ligando para os acontecimentos. Minha alma está cansada, talvez morta. Pra ser sincero, minh’alma é niilista. E eu também sou. Isso é ruim? Eu não acho. É muito bom não querer ser um vencedor. Quanto à compreensão, as pessoas agora parecem mais compreensíveis. É como se um psicólogo invisível sussurrasse em meu ouvido o diagnóstico de cada problema.

Se eu não precisasse de comida, de roupas e de um teto, eu não trabalharia. Só trabalho por necessidade. Faço as coisas por necessidade. No entanto, eu também necessito de sossego, por isso não tardo em desprezar tudo aquilo que me faz utilizar a força. Do que adianta os debates, se ninguém vai fazer os que eles dizem?

Sem vaidade chega-se a qualquer lugar do mundo. Não é uma questão de valores de escravo, como bem explica Nietzsche, a questão é mais rica, é mais profunda. Qual o sentido de um debate corrompido? Corroper-se com ele?

Eu tenho medo da certeza de que não verei certas coisas. Queria viajar ao futuro, para ver se vou perder muita coisa. Porém, se um dia eu conseguir viajar ao futuro, não deixarei de ver as coisas que criaram depois de minha morte, e isso não tem graça nenhuma. Beethoven morreu sem comemorar um gol do Fluminense (sim! Se ele tivesse nascido na época do futebol, sem dúvida, seria Fluzão) , porque, como bem sabemos, na época dele, ainda não haviam criado o futebol. Oscar Wilde não conheceu o Orkut. E eu? Vou deixa de conhecer o quê? Isso é me pertuba muito.

Domingo. Muito sono. Dois filmes. Nenhuma OSESP. Um contra-filé no dom kilmer, assistindo ao faustão. Muitos malboros. Coca-cola. Sono. Mensagens no celular. Dúvidas. Certeza: a de que eu não verei certas coisas.

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