quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A FORTE CHUVA

Eu morava numa pensão que carinhosamente era chada de “beth”. Não sei ao certo a origem deste carinhoso apelido; só sei que foi colocado pelos meus amigos. Pois bem, morava eu nesta pensão chamada beth. Um lugar meio hostil, diferente dos condomínios de luxo que brotam do chão. Lá tinha uma liberdade aconchegante, apesar de muito quente. Podemos dizer que era tranquilo.

Por consequencias da vida ou por ironia do destino, apesar de não ser o lugar que eu desajava, brotou do fundo do meu coração um amor muito grande por aquele cômodo dois por dois. Talvez fosse por causa da proximidade do cinema, do mar, dos bares e de todas as coisas que serviam de entorpecente. Talvez fosse por causa do sossego que havia ali, sobretudo quando eu estava deitado na minha cama assitindo tv.

Fiz planos; não muitos, todavia os fiz. Fiz planos, que, numa quinta-feira, foram levados por uma forte tempestade que me deixou meio triste. Mas, segundo Nietzsche, a tragédia faz-nos afirmar mais a vida. É isso! Preciso acreditar que a tragédia fortifica a vida. Preciso acreditar que a fraqueza está em negar a vida. Eu realmente preciso acreditar, pois as condições absurdas estão me fazendo demasiadamente indiferente.

2 comentários:

nnt disse...

É preciso 'fé cega e pé atrás'! Como diria o roqueiro adolescente, numa banda adolescente, numa propaganda de refrigerantes.

Manoel Aires Jr disse...

fé cega...