
Lord Hotel - Centro de Fortaleza.
Foto: Francisco Edson
O centro de Fortaleza, até pouco tempo, não tinha lugar em meu coração. Eu não suportava o barulho dos carros, dos ônibus e das chamadas comerciais. Era tudo tão perturbador, que eu fui conhecer realmente o centro quando saí definitivamente do interior.
Estudei nos colégios do centro da cidade. Colégio Sistema, Anglo e outro que não recordo o nome me receberam na adolescência. Colégios caóticos, onde o aprendizado não era levado muito em conta. Esses colégios gostavam de formar atletas. Mas como eu nunca fui atleta e nunca gostei de competir, apesar de gosta muito de futebol , acabei não me identificando muito com nenhum deles.
Eu gostava mesmo era de ficar observando o acordar do centro. Aquelas lojas de produtos eletrônicos da Pedro Pereira abrindo as portas e os vendedores de tapioca empurrando seus carrinho; O pastel com caldo-de-cana da Lanchonete Alvorada (General Sampaio com Pedro Pereira); O chegar e sair dos ônibus vomitadores de multidões; O despertar dos mendigos e o queimar do sol sob as paredes do Lord Hotel.
Aquele movimento todo era melhor que as baboseiras que eu ouvia em sala de aula. O centro tinha mais vida. Quando a aula terminava mais cedo, eu ia direto pra praça José de Alencar vê algum show de humor ou a cantoria dos repentistas.
Tempo bom. Tempo sadio. Tempo que me fez amar o centro. Hoje, quando faço o mesmo percurso que fazia antes (só que agora não mais no papel de menino do interior), vejo muitos personagens daquela época. Porém sem fisionomia de antes, pois o tempo passou e consumiu boa parte da juventude corporal de cada um, sem no entanto tirar a ideia de que os dias irão melhorar.

Um comentário:
Manoel
"Fortaleza do outros " (blog:aldir
brasil)
aldir brasil
"Lembranças de um tempo não tão distante" , bonita!!!!!!!!!!
abraços
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