terça-feira, 7 de julho de 2009

"O melhor do amor é a sua memória, disse meu pai (...) só eu não disse nada; nem antes, nem depois"

Frustrações e decepções acobertam um espírito não tão nobre,
enquanto o silêncio permanece à flor da pele.

Se não temos forças pra passar por aquele mar que não se abriu,
então é bom encontrar conforto num travesseiro
e meditar sobre as grandes conquistas dos fracassados.

Há uma banda tocando para um público que não gosta de música.
Há um profeta pregando para gafanhotos e libélulas.
Há uma guerra

cujos soldados têm corações de plástico.

Se não temos mais forças,
se detestamos esta guerra,
então é bom deixar que o mar nos leve pra bem longe das trincheiras.

Se a água é amarga
e o céu cobriu-se de nuvens,
é bom que a gente pare de olhar para o céu.

Somos apenas mais um, e isso é o que nos conforta.

Vida longa as idiotices dos anarquistas.
Que este vento de desilusões cubra pra sempre
a história dos que bebem vinho na taça do decadentismo.

Vida longa a criança abandonada na esquina de uma velha rua pacata.
Vida longa aos primeiros minutos de uma ressaca.
Vida longa reggae meloso que toca na radiola do meu avô.

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