quinta-feira, 6 de março de 2008

Fábrica de Moços corretos: Análise do comportamento na sala de aula. Parte I


Os tolos, que adoram fazer perguntas óbvias, sobretudo nos três últimos minutos de aula, são seres agradáveis. Eles têm um ar desesperador - um ar de quem tem a obrigação de dizer algo para o professor, ainda, é claro, que seja uma tolice. Podemos comparar a conduta desses seres (se é que se pode chamá-los assim) a um cão que deseja desesperadamente a atenção do seu dono. Pobre cão, mal sabe que foi comparado a um fanfarrão. Perdoe-me, pobre cachorrinho.

Não podemos, contudo, ignorá-los a ponto de não tirar deles a única coisa boa. Mas o que teria de bom num ser dotado de tal qualidade? A resposta é: a aptidão para fazer com que muitos não desejem ser iguais a eles. É impressionante mesmo. Muitos por aí, como por exemplo, professores, políticos, sacerdotes, artistas, vivem numa atitude meia sua e meia dos outros. É como se suas atitudes fossem condicionadas ao ‘gostar ou não’ do seu público. Eles agem segundo o pedido do público, caindo assim num narcisismo perigoso e doentio. Entretanto, tal conduta tem um fim. Veremos logo mais adiante.

Se compararmos tais seres a um professor comum, estes, porém, infinitamente vezes mais dignos, conseguiremos sem dúvida distinguir a farsa que há no comportamento do que se nomeiam bons professores. Estes mendigos de centro acadêmico chegam ao ambiente universitário como se não quisessem nada. Antes, contudo, vestem uma capa de engraçadinho, e saem na calada-da-noite para arquitetarem suas próximas conquistas. Normalmente costumam pregar idéias progressistas. Pra variar, são anti-americano e defensores do meio ambiente. Porém, suas carapaças começam a cair, quando num ato de pura safadeza, não emitem opiniões sobre o comportamento dos colegas professores, pois assim evitam inimigos. Suas aulas mais parecem comícios. Suas falas, especialmente nas palestras, mais parecem orações. Seu posicionamento político, enfim, tem como bode expiatório a globalização, o capitalismo e a sociedade. Não estamos diante de um mostro ou de um maldito, pois apenas uma coisa ele deseja: montar o sua cursinho preparatório para a OAB, e chegar ao patamar social de um professor que trilhou o mesmo caminho. É, sem dúvida, uma fábrica de moços corretos. Deu pra saber qual o fim?

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